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DESLIGUEM SEUS CELULARES
 


RUY CASTRO, FERNANDO MORAIS

Recebi ontem o “Mago”, biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais.

Já li 80 páginas. São 619, ok?

Gosto de biografias. Mas, Ruy Castro continua na minha preferência como o melhor no gênero aqui no Brasil. Sei, sei... é pretensão minha escolher. Não li os grandes biográfos brasileiros, mas não conheço quem tenha se notabilizado além dessa dupla. O José Castelo fez biografia de João Cabral e do Vinícius – li a primeira, a segunda não terminei de ler, mas quase.

No confronto, como leitor posso fazer isso, entre Castro e Morais, aprecio mais o primeiro.

Ruy Castro é uma espécie de romancista.

O Fernando Morais é uma espécie de pintor, que aqui acolá, carrega nas tintas.

Em “Anjo Pornográfico”, a primeira coisa que Ruy Castro faz é dizer que não emitirá juízos de valor sobre o teatro de Nelson Rodrigues e recomenda a leitura de alguns livros, muitos do Sábato. Pisa na bola só quando dá uma alfinetada e afirma que o melhor meio de expressão de Nelson não foi o teatro e sim o romance.

Fernando Morais começa “O Mago” usando como epígrafe trechos de textos do crítico literário Wilson Martins, uma desabonando Paulo como escritor, a outra reconhecendo-o como um fenômeno. Faltou a Fernando Morais dizer o mesmo de Ruy: não sou crítico literário e estou aqui pra contar uma história.

A preocupação em afirmar que a crítica literária está errado e de dar, sem que a ocasião pede ou não, alfinetadas no Brasil por não dar de joelhos diante de Paulo Coelho beira o ridículo. Paulo Coelho tem uma história fascinante. Fernando Morais poderia só contá-la, não é? E mais: Fernando Morais tem uma fixação na Academia Brasileira de Letras com se a instituição fosse o avatar supremo, a aferidora mor de qualidade literária e sabemos que não é bem por aí que a banda toca.

 



Escrito por Astier Basílio às 09h31
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FINAL EM EXTINÇÃO                    

Ser forasteiro
ao problema.
 
Cumprir
somente as moedas
e a publicação da lenda.
 
Não se envolver
caso acenda
algo além do seu revólver
ou do seu tema.


Ser cavalo do destino
e sua própria
legenda

 
 
Astier Basílio
13-V- 2008


 



Escrito por Astier Basílio às 11h04
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MARTINS PENA, ARTHUR AZEVEDO

 Martins Pena e Arthur Azevedo foram dois dramaturgos do século XIX que contribuiram de forma decisiva na formação do teatro brasileiro. Mas, suas comédias ligeiras, o texto daquela época, funciona ainda hoje?

A julgar pela “Comédia em 3 x 4”, montagem do grupo Grupo de Teatro Contratempo, de João Pessoa, sim. O texto está vivo e atual. E olha que Duílio Cunha, o diretor, optou por manter alguns arcaísmos na linguagem e até palavras em desuso.

Assisti à peça em 2006, na Mostra de Teatro e Dança, no Santa Roza. Uma apresentação sofrível. A Cida Costa estava rouca. Sabe um disco arranhado? Foi a sensação que eu tive. Havia alguns quadros, Cida em todos. Enfim. Liguei ontem pra Duílio. “É, aquela apresentação não foi boa, eu deveria ter cancelado”.

A “Comédia em 3 x 4” está voltando em cartaz. Apresentações sábados e domingos, no Ednaldo do Egyto, todo esse mês. Neste sábado, sai matéria minha (acessem no www.paraiba1.com.br) no Jornal da Paraíba. Houve mudanças nos quadros e no elenco, sai o elenco masculino. Além de que o cenário, com muitas portas, foi substituído. Muda toda concepção. “Vai ser outro espetáculo”, conta Duílio.



Escrito por Astier Basílio às 09h41
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PARAÍBA 1

Ontem estreou oficialmente o portal Paraíba 1. O meu blog está linkado lá. Vocês agora podem acessar minhas matérias de lá: www.paraiba1.com.br . Outra coisa. Por conta de uma moça que deixou um comentário, sem o nome dela, dizendo “ei, pessoal, acessem meu blog”. Sem nem dizer quem era, sem “oi, boa tarde”, resolvi por um filtrinho nos comentários. Só que , não percebi, com o Uol ou é calça de veludo ou bunda de fora. Então, exigiam um cadastro chatíssimo. Quero avisar que já desativei. Podem comentar à vontade.




Escrito por Astier Basílio às 09h01
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NÃO ENTREVISTA COM CHICO BUARQUE

           

            Recife. Rua do Hospício. Ninguém iria acreditar se eu contasse. Mas foi num bar, dos mais vagabundos, que Chico Buarque topou não ser entrevistado. "Eu tenho um truque ótimo.  Coloco o óculos escuro, aí viro o Clark Kent".

            Mesmo com o disfarce umas três pessoas vieram perguntar se o Super-Homem poderia dar um autógrafo. Ele polidamente pediu desculpas e disse que era só Clark Kent.  "Todo mundo me confunde, tá ?". As duas Louise Lane dobravam a esquina,  

            O garçom. Garçom não, o rapaz lá do pé sujo: "Vão de que?". "Tem cana?", perguntei. "Ó aí", apontando o cardápio. Cardápio não. Um encadernado impresso em word, com cores breguíssimas, saca, amarelo e rosa?, todo engordurado. "Pra mim uma dessa de cabeça, com limão, hem". Chico perguntou: "Dá boa?". Eu: "Boa toda". Ele: "Então pra mim também".

            Chico puxou uma carteira de cigarro.

            Um free, do vermelhinho.

            "Sempre fumou desses?", perguntei.

            "Já começou a entrevista?", escapando.

            Rimos.

            "Já, né? Ou você acha que eu vou tirar o 'balão' que você deu nas meninas, do texto de abertura?"

            "Na verdade", Chico ficou meio sério, "eu fumo uma marca francesa. Mas o meu acabou, no hotel não tinha. Esse eu comprei no fiteiro ali".

            Vicío é foda, eu disse.

            É, vício é foda, ele concordou.

            Vamos começar, falei pra ele. Chico esverdeou mais ainda os olhos. "Oxe, vai gravar não?". Eu falei que não precisava. Minha memória já estava em REC há um tempão. "Vê lá, hem" – acho que eu balancei a cabeça e ele rindo – "Eu não dei mesmo essa entrevista".

           

Desliguem– Você ainda come muita mulher?

 

Chico – (gargalhadas) Ninguém nunca começou uma entrevista assim comigo...

 

Desliguem  - Nem nunca começará. Lembre-se: você não deu essa entrevista. Mas, não escape não. Continua...

 

Chico. Olha, sabe o que eu me lembrei agora?

 

Desliguem - Não, de quê?

 

Chico. Entrevista da Marta Suplici ao Jô. Ele perguntou qual era a cor da calcinha dela. Uma coisa assim... Aí ela disse: Jô, se fosse um homem entrevistado você não perguntaria isso...

 

Desliguem - Você viu a entrevista?

 

Chico. Não vi, mas me contaram.

 

Desliguem - Então. É lenda urbana. Daria um livro, sabia? "As entrevistas no Jô que me contaram". Tem tanta coisa, sabe a de Falcão, que cortaram na hora que ele...?

 

Chico. O que eu quero dizer é que se fosse uma mulher a entrevistada, na minha idade, já sou um ancião, você não perguntaria isso...

 

Desliguem: Não? Ah! Deixa chegar a vez da Vera Fischer... Aliás, como é que tá a Vera hein?

 

Chico. E eu vou saber?

 

Desliguem: Você pode não saber agora, mas e antes, hein?

 

Chico. Por que a gente não fala sobre música?

 

Desliguem: Vamos sim. Você nunca mais vai fazer uma canção como "Flor da Pele", não é?

 

Chico. Ah não dá mais não. É uma energia que só a juventude traz. A velhice, a experiência acumulada, é bom pra literatura. Aqui a depuração tende a um nível de expressão melhor.

 

Desliguem: Vamos voltar a falar de mulher, o papo tá ficando sério e esse blog não é sério.

 

Chico. Se você perguntar quem eu comi ou deixei de comer eu não respondo.

 

Desliguem. Tá bom, então, manda um beijo pra Luana Piovani, tá?

 

Chico. Ih... você errou de cantor, meu chapa. (risos)

 

Desliguem. Mesmo. Tem nada não, quando eu entrevistar o Caetano, peço pra ele mandar um beijo pra, pra, pra quem mesmo...?

 

Chico. Pra mim mesmo ou você esqueceu o Especial que eu fiz com ele

(risos de novo)

 

***

Pra quem quer saber mais sobre Chico Buarque, cliquem aqui:  http://desciclo.pedia.ws/wiki/Chico_Buarque)

 



Escrito por Astier Basílio às 10h08
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de algum lugar do HD

O banho de cuia

 

O mais humilhante dos dribles que se podia levar, seja no campinho da Poeira na Prata, seja no campo do Santos, em Bodocongó ou em qualquer gramado do mundo, é o banho de cuia.

 

“Chapéu”, “Lençol”. Há outros nomes. Eu gosto mais do “banho”. E do que eu gosto é da expressão nordestinada que pronuncia assim: “bãe”.  Ouvida quando o algoz ficava entre o intervalo de ter dado o toquinho por cima e pegar do outro lado. “Bãe”.

 

Ao se ouvir esse canto de morte há três alternativas:

1ª) a falta. Aí é necessário que o  jogador saiba que o outro quer lhe dar um banho e há toda uma rítmica corpórea: esbarrão, obstrução, até a mais cruel de todas que é o chamado “tostãozinho” – sim, aquele leve toque com a ponta do joelho em direção à coxa do adversário.

 

2ª) “descontar”.  Pegar a bola caindo, antes que o algoz pegue e configure o drible. Sim porque o banho só é considerado como tal se o sujeito pegar a bola do outro lado.  Pra fazer isso é preciso perícia e não é todo posicionamento que facilita. Tem de ter sorte.

 

3ª) “levar e revidar”. Essa é mais angustiante. Principalmente porque ou o jogador passa o jogo todo com o pensamento em revidar o drible e isso não só atrapalha o time como pode complicar ainda mais a humilhante situação. Eu explico. Uma tentativa frustrada é pior. Revela o orgulho ferido de macho. Quando se trata de peladeiros que costumeiramente jogam juntos, é possível revidar o drible noutra partida. Agora, para isso, o jogador será alvo de gozações quando a turba volta suja pra casa conferindo os despojos da batalha: “Ei, fulano deu um bãe em tu”.

 

O banho de cuia está, para a categoria dos dribles, como o gol de bicicleta está para o gênero dos gols. É o drible mais bonito para quem o faz e mais humilhante para quem o recebe.

 

Semana que vem eu falarei sobre o segundo drible mais bonito: “a saia”.

 

 ***

 

 Achei esse texto no meu computador. Acho que se destinava a uma coluna em um site esportivo. Foi logo após a extinção de minha coluna no Jornal da Paraíba "Futebol é Arte". Talvez não poste nada hoje. Um dor de dente me puxou pelos pés de madrugada. Nem trabalhar fui hoje.

 



Escrito por Astier Basílio às 13h54
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UM BEIJO ROUBADO

            Que tal ser feliz, mas ser feliz sem pieguices.

            Que tal ao invés de coroar o encontro de um casal cujo ápice se dá no final do filme, não com um beijo estatelante, com direito à musiquinha e créditos subindo, mas sacar de uma cena anterior, um outro olhar, um outro ângulo que justifique a espera entre ambos e faça o encerramento do filme ser um pequeno flash-back?

            “Beijo Roubado” (My Blueberry Nights, 2007), do Wong Kar Wai é assim.

            Conta a estória de Elizabeth, interpretada se não de modo excepcional, mas ao menos de modo digno, pela cantora Norah Jones, em sua estréia no cinema. Ela descobre que o namorado a traia. Como? Liga pra um barzinho em que ele costuma jantar. O atendente e dono, Jeremy, em boa atuação do Judy Law, acaba revelando. Sem querer.

            Ela vai pra lá. Todas as noites. Uma ótima utilização simbólica entre chaves, uma fotografia que se utiliza de um  bom jogo de espelhos, um efeito quase psicodélico, slow motion, de montagem, coloridos dão moldura ao drama da mocinha que agora quer sumir, foge para longe de Nova Iorque, pro Tennessee, se empurra de trabalho para não ter de pensar no passado. Quer comprar um carro para ir tão longe que não saiba para onde esteja indo.

 

            Aqui a narrativa dá uma virada. Elizabeth, que passa a relatar sua rotina para Jeremy, muda o seu lugar. Passa de personagem principal à narradora. Se fosse um livro, poderia dizer que a narrativa passou da primeira pra terceira pessoa. Nos deparamos com outro conflito, de Arnie Copeland, David Strathairn , policial que bebe todas as noites para esquecer a deslumbrante Sue Lynne, interpretada pela não menos deslumbrante Rachel Weisz, que quando entra em cena, pára a rotação do universo.

            David Strathairn faz a melhor interpretação de bêbado que eu já vi. A tensão, o conflito para não levar os seus sentimentos, a luta por estar sóbrio, mesmo ali, bêbado – nada da bufonaria e do ridículo em que tropeçam as atuações- clichê.

            Natalie Portman rouba a cena. Está perfeita no papel da inconseqüente  Leslie capaz de apostar tudo numa rodada de cartas. É um papel pequeno, mas marcante.

            Como já falei do final no início. É isso.

            Tem mais não.



Escrito por Astier Basílio às 18h16
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do livro "BAIONADA, BLUES"

Bluseiros do Norte

 

Um bar. Nunca é só um bar,

se um blues improvisa um chão

de Whashington a Bodocongó

num tamborete ou balcão,

vi Mississippi John Hurt

e Zé Gonçalves seu irmão.

 

Riffs caíam pro céu,

unhas faiscavam baiões.

 

José: o timbre em galopes,

potro em slow motion sem chão

John Hurt: uma ave ao revólver,

um Assum Preto ou Carão.

José: viola em floreios

John Hurt: chora aos bordões. 

 

Histórias de Jesse James,

lendas sobre Lampião.

 

José: não quero mortalha,

nem me enterrem num caixão.

Dentro das ondas de um rádio,

com Retalhos do Sertão.

Sou o velhinho do roçado

que é cantado na canção.

 
The candy man, Cantador,

John Hurt e sua estação

no inferno a traficar blues

nas brumas de Avalon

um Rimbaud Social Club

às vésperas da Depressão

 

                  Astier Basílio
                        28/VI/2007


Escrito por Astier Basílio às 09h36
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ENTREVISTA PING-PONG

com apenas

duas palavras

fiz entrevista

com escritor

Marcelino Freire,

Jaburo, Jabuti

eta, danado!


1- Marcelino Freire?
R. Bichinha teimosa.

2- Sua obra?
R. Em construção.

3- São Paulo?
R. Minha doença.

4- Cidade, Recife?
R. Único amor.

5- Sexo, Drogas e....
R. Conta estourada.

6- Considerações finais...
R. No Google.

erramos. Na pergunta "5" foram utilizadas mais de duas palavras. Mas, não iremos consertar.



Escrito por Astier Basílio às 13h39
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MUDANÇAS NO BLOG

Vou dar uma mexida no blog.

Vai haver uns quadros, aqui.

Toda segunda vamos ter : "PÁGINAS AQUARELAS", entrevistas inventadas com os grandes nomes da cultura brasileira. Nossa estréia não poderia ser melhor: Chico Buarque de Holanda.

Ele não nos concedeu uma entrevista em Recife, em um boteco ordinário da Rua do Hospício.

Segunda, vocês verão.

Há também o quadro "PING-PONG" . Eu tive de fazer perguntas com até duas palavras e o entrevistado responder em até duas palavras também. Nossa estréia será com o escritor Marcelino Freire. Aguardem.

Tem muito mais coisas!



Escrito por Astier Basílio às 20h24
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WOODY ALLEN, GOETHE

            Eli Cris, minha amiga, disse “Woody Allen se deu alta da terapia”.

            Ela falou a respeito de “O Sonho de Cassandra”, último longa dele.

            Acabei de vê-lo.

            Não, eu não li “Crime e Castigo”. Confesso que comecei a ler, mas por razões que não sei dizer parei com a leitura. Sim, está entre as minhas prioridades atravessar essa obra prima que mais uma vez serve de inspiração para o velho Wood.

            Achei o filme rápido, ágil e – o melhor de tudo – bem diferente.

            Allen chegou ao ápice do autoplágio em “Melinda e Melinda”, um filme em que repete temas, motivos, mas sem a capacidade de transcendê-los, sem conseguir dizer algo de novo. Ter Bergman como modelo causa isso. Bergman, com muito mais habilidade, soube criar demônios, revisitar conflitos, falar sobre os mesmos velhos temas, mas sempre apontando algo novo, como se alterando apenas uma letra do lugar o alfabeto se iluminasse outro.

            Meu amigo Morais, grande poeta, me disse que “Match Point” retoma “Crimes e Pecados”, filme que não vi – mas que devo pedir emprestado a Renatinho em breve.

            “O Sonho de Cassandra” retoma “Match Point” mas radicaliza no que tem de diferente – há quase nenhuma referência intelectual, o foco está mais na ação, embora Woody Allen saiba o que esteja fazendo, mexendo com arquétipos, mergulhando na miséria humana

            Gostei do filme.

            Pena que sai, esse mês, tão pouco pra ver filmes.

            Estou envolvido num projeto que tem tomado o meu tempo. É algo que tem me dado alegria. Em função desse projeto ando a ler o Fausto.

            E como Goethe está vivo.



Escrito por Astier Basílio às 22h16
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Severino Ferreira, Blind Lemon


Como se o Texas fronteirasse Touros

Um rio entre, mas não feito em relógios.

Às margens, um risco em cujo topo,

os sapatos são míopes. O entalhe é tosco.

Sola o destro, xilogravura o canhoto.

Até sua água inicial. Até sôbolos,

muma margem de febre, tremularem rostos.

Cordel batido em um papel carbono.

Obra-prima que o vento apaga e é sopro.

Nunca o mesmo espelho, o mesmo outro.


                          2

Violas cortam os pulsos. Microfonia, aboios.

Conectam-se ao que se perde. Ao fogo

que separa o eterno do que é joio.

Os dois. Cantam pelo não dos olhos.

De Chicago a Paulo Afonso o tempo é um corvo.

Mantém-se limpo o epitáfio sob óculos.

Serpentes nevam. O automóvel próximo.

O horizonte improvisa um céu de escombros.

O tempo curva o final. Os rapsodos

plugam seus gritos. E é sem fio o encontro.

                               

                                          24/VI/ 2008



Escrito por Astier Basílio às 08h43
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UNIVERSOS INVISÍVEIS

Universos invisíveis, quantos há? Depois de ter tido essa “Estada” nos anos 1920, mais precisamente, no blues, fiquei pensando, era um mundo a mim invisível. Mas quantos há e quantos continuarão havendo? Eu lembro de que quando eu via a beatlemania – lá em casa nossa cultura musical era direcionada por outro caminho, ouvia-se muito, mas de um outro universo invisível – sabia, tinha a intuição ao menos, de que algum dia seria tocado. E fui. Como a música, sobretudo a música internacional, nunca foi meu forte, tenho me dedicado mais a ouvir ultimamente. Sempre fui mais de ler, passei a adolescência vasculhando poetas, escritores. Li muito mais poesia. Nos últimos anos é que me dediquei mais a ler prosa, sobretudo romances. Interessante é que cada mundo tem suas turmas. Minha turma mais antiga é a da literatura, mas precisamente da poesia. O mundo da poesia começou a ficar chato, burocrático, discussões bobas, sectarismos. Apareceu o cinema. Bem depois, me apareceu o teatro. Não tenho ainda uma turma de teatro com quem ande, circule. Se bem que a turma que fez o curso em 2003, 2004, lá em Campina Grande, mantém o mesmo afeto quando se vê, mas estou em João Pessoa e a gente se vê pouco. Os meus amigos de teatro, a maioria, estão em Rio de Janeiro e São Paulo e com converso quase diariamente. Engraçado que os mundos, agora por mim visíveis, não fazem muita intersecção. Lembro que fiquei abismado que no primeiro festival em que fui passávamos o dia todo falando em peças, teatro e tal... mas puxava às vezes um assunto, um link, com literatura e não achava muito feedback. O mesmo em literatura. Os da margem de lá quase não se dão conta do mundo que existe além do nariz deles. Os universos invisíveis. Não dá pra ser visto por todos. Em muitos filmes nosso papel é de figurante.



Escrito por Astier Basílio às 04h36
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impressão digital

após todos os fins
nasço:
nos escombros do muro,
das torres,
do mundo.

Eu,
rascunho permanente,
de um já escrito
epitáfio.

poema do livro novo, 'Eu Sou Mais Veneno Que Paisagem', a ser lançado mês que vem.



Escrito por Astier Basílio às 11h27
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Passei o feriado em casa. Ouvindo blues.

Foi uma espécie de imersão pelo Sul dos Estados Unidos.

Mississippi John Hurt, Howlin' Wolf, Blind Willie Johnson...

Passei esses dias embriagado pela poesia desses cantadores americanos.

***

O audiovisual bate minha porta.

Dois projetos.

Depois falo deles.



Escrito por Astier Basílio às 11h20
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