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DESLIGUEM SEUS CELULARES
 


UM FINAL PARA BILLIE JANE (CENA)

Uma bicicleta rodando em círculos.

Um homem preso ao guidão dorme. O despertador toca. O homem acorda.

Não pode ficar mais de dez segundos fora da bicicleta.

Termina de acordar, escova os dentes, a custo consegue equilíbrio.

Quando obtém tranquilidade na ação realizada, deve mudar a ação.

Troca de roupa.

Retira o pijama e coloca um terno e gravata.

Toma café.

Escova os dentes novamente.

Os elementos que vão simbolizar a troca das ações estarão no centro.

Pega um teclado e a custo consegue equilíbrio.

Digita, acostuma-se à situação. Mantém o teclado e terá agora que realizar as ações simultaneamente enquanto digita.

O telefone toca.

Atende o telefone.

Pega um sanduíche. Baixa o zíper da calça. Masturba-se.

Guarda o teclado.

O telefone toca.

Atende o telefone. Tira o terno e a gravata. Ainda ao telefone.

Coloca o pijama.

Dorme. O despertador toca.

O homem acorda. Escova os dentes. Toma café.

Troca de roupa. Põe uma roupa de praia.

Começa a fazer cooper.

Põe bronzeador. Coloca óculos escuros.

Abre o guarda-sol. Pega a máquina fotográfica.

Não descansa. Passa o tempo todo tirando fotos.

Pára de tirar fotos. Tira o celular. Coloca música. Alta. Põe o celular no chão.

Tenta relaxar mas não pára. Pega um livro. Troca por outro livro. Troca por um terceiro.

***

rascunho de um experimento que venho desenvolvendo.



Escrito por Astier Basílio às 10h52
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ONDE O SOL NASCE MAIS CEDO

Não sei se é verdadeiro dizer que é aqui em João Pessoa que o sol nasce primeiro. Que nasce bem cedo, isso é verdade. Às seis da manhã, o sol já vem alto e forte. Ao invés de ser despertado por meu celular, resolvi deixar a janela aberta e ser acordado pelos raios do sol. A sensação é das melhores. E isso sem falar que consigo me acordar antes das oito, algo meio difícil pra mim.



Escrito por Astier Basílio às 09h57
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O SAMBADO XADREZ POLÍTICO DA PARAÍBA

Não sou de escrever sobre política aqui, mas abro uma exceção, pois, acredito que os rumos políticos a serem configurados a partir das eleições municipais aqui na Paraíba mais do que as especulações normais sobre as composições de chapa para as eleições em 2010, acredito, que acontecerá uma mudança de ciclo.

Se formos pensar na conjuntura estadual, o quadro se desenha com três possibilidades e algumas variantes. A eleição de Veneziano, do PMDB, em Campina Grande, numa eleição apertada, mas que obteve respaldo através de um discurso que falou direto à alma do campinense: a de que ele, Veneziano, ungia-se como um líder natural da cidade no processo sucessório para a eleição pra o governo. A contabilidade foi a seguinte: Cássio, do PSDB, tem como alternativa a disputa ao Senado, caso cumpra o mandato até o final, algo que já se dá como certo; Ricardo Coutinho, com a releição consagradora em João Pessoa efetiva-se como terceira força política, à frente do PSB; Maranhão, já figura carimbada do PMDB, sempre com o desejo de voltar ao Palácio da Redenção; posto isso, qual seria o nome que poderia se contrapor a um "governador de João Pessoa"? Veneziano, por incrível que possa parecer, conseguiu canalizar esse discurso bairrista e  ampliar a vantagem da eleição no primeiro turno e de, ao que parece, unificar um sentimento da cidade em torno de sua candidatura para o governo

Por mais que as oposições encenem o teatro da união, o discurso rachará, pois, a possibilidade de compatibilizar interesses entre Veneziano, Ricardo e Maranhão tende a isso. O certo que é nenhum destes canditados consegue eleger-se sozinho. Para que lado penderá Cássio cujo quinhão eleitoral não pode ser desprezado e, por outro lado, como ficará Efraim Morais, DEM?

Mas, se o momento é do que configuração de novas - melhor dizendo, diferentes - forças políticas no estado; as prefeituras de duas das maiores cidades do estado, João Pessoa e Campina Grande, poderão ser governadas pelos vice-prefeitos, Luciano Agra e José Luiz, respectivamente. E 2012? Quais serão os nomes que iram concorrer à prefeitura? O tempo é o de surgimento de novos nomes, oportunidade rara e cíclica.

Mas muita água rolará debaixo dessa ponte.



Escrito por Astier Basílio às 13h42
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TEATRO COMPLETO DE SARAH KANE

Recebi ontem, na minha caixa postal, Teatro Completo Sarah Kane. Não lembro ao certo a primeira vez em que ouvi falar dela. Talvez tenha sido o Nelson de Sá. Não importa. Fiz o pedido no estante virtual. O livro está em ótimo estado e o preço foi até camarada. A edição é portuguesa - claro, a tradução também. Paguei R$ 40 (soube que o Mau Alcântara morreu em oitentinha pelo mesmo livro) Ontem mesmo li a primeira peça do livro, Ruínas.

(...)

Ian    Não há Deus

Cate  Como é que sabes?

Ian    Não há Deus. Não há Papai Noel. Não há fadas. Não há Bosques Encantados. Não há porra de merda nenhuma.

Cate  Tem que haver qualquer coisa

Ian    Porquê?

Cate  Senão não faz sentido.

(...)



Escrito por Astier Basílio às 09h50
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ALESSANDRA COLASANTI AQUI

Quem vai estar no Festival de Areia é Alessandra Colasanti.

Espero - e vou trabalhar pra isso - que sua presença por aqui não passe desapercebida, tampouco que lhe seja creditada apenas o fato de ser filha de Affonso Romano e de Marina Colasanti. Não. Ela é muito mais do que isso. Uma diretora inventiva e autora de um texto pulsante, debochado e contemporâneo. Ela quem assina a direção das peças do Michel Melamed.

Ela apresentará o espetáculo Anticlássico em que escreve, atua e dirige. No sábado, dia 9, lá no Festival de Areia. Pra quem quiser conhecer um pouco mais da moça pode clicar aqui e conhecer seu blog ou através desta (excelente) entrevista concedida à Francine Jallageas, publicada na revista Bacante. Vale a pena.

 



Escrito por Astier Basílio às 19h51
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CLARINHA

não acho nada honesto mexer nos posts.

E a avaliação apressada, precária e em certo tom meio moleque das peças ali embaixo, me fizeram pensar na apresentação da Clarinha, da Maria Clara Spinelli.

Sobretudo, do momento em que a personagem, que passa por um momento de transformação, revela toda essa poética numa pedra. A Clarinha sai do palco e brinca com a platéia. Essa imagem ainda está na minha cabeça e é maior do que as limitações contextuais da apresentação ou até mesmo do tom algo literário da peça.



Escrito por Astier Basílio às 01h37
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CRITIQUIX

Por Asterix

este colunista enquanto saia pra comprar banana, ao lado, Mário Bortolloto.

Amigos, os comentários abaixo, sobre tudo o que eu vi na Tenda do Neo, no Dramatrix, é bom que eu diga logo, não se referem de modo algum ao meu pensamento enquanto crítico, estou falando enquanto espectador. Algo como Batman e Bruce Wayne.

***

Sexta-Feira, 24 de Outubro


12hs “A DOCE FÚRIA DE SONHAR”, de Ana Roxo
Direção: Gabriel Carmona
Elenco: Cia. Delas de Teatro


Ter que esperar no sol quente 45 minutos pra o começo da peça foi muito chato. Gostei da disposição em fazer uma cena não dramática, o texto tem material pra isso, só que a utilização do coro mais sublinhava a narração e a ação da personagem causando um efeito de chuva no molhado.

 


13hs “CEIA”, de Leandro Sarmatz
Direção: Ricardo Rizzo
Elenco: Ariane Ferrari, Danilo Sacramento e os músicos Marcello Boffa e Bruno Elisabetsky


Pareceu vídeobook a ser enviado pra setor de teledramaturgia da Globo e da Record. Um dramão com direito a lágrimas e uma trilha chorosa com violão executada - literalmente-  ao vivo. Um conflito meio confuso de início, com Ele quebrando um prato e querendo se cortar com o caco, depois desenhado com a notícia da doença dEla. Tudo isso com alguns referências aos dramas da vida moderna, como a solidão.


14hs “MATÉRIA DOS SONHOS”, de Claudia Pucci
Direção: Sandro de Cássio Dutra
Elenco: Maria Clara Spinelli


rolou uma puta disposição da Clarinha que realçou a beleza do texto, mas ao mesmo tempo caiu em algo recitativo, literário, era preciso pensar em mais ações, como a das pedras que caem do palco e chegam à platéia.



19hs “JESUS CONECTION SHOW”, de Marcos Ferraz
Direção: Fábio Ock
Elenco: Bia Borin, Caio Salay, Zelson T´souza, Willian Anderson, Zema, Vinicius de Loiola e Rogério


Jesus como apresentador de talk-show, inspirado em Jô Soares foi legal, cruzar as linhas deu um efeito interessante, mas ficar só nisso, não. Os convidados não renderam tanto, a Joana D’Arc foi ótima. O moço que imitava o Zacarias foi patético, rimos dele, não com ele. 

 


20hs “20 MOTIVOS PRA 1 MINUTO DE SILÊNCIO”, de Ruy Filho
Direção: Ruy Filho
Elenco: Ivam Cabral, Alberto Guzik, Gero Camilo, Pedro Granato, Vanessa Bumagny e André Sant"Anna


Algumas idéias muito legais, outras nem tanto. O Gero abriu numa fenda entre se era representação ou aviso – era representação. Os textos muito legais – seria bom se fosse possível lê-los num site do Satyrianas, do mesmo jeito que tem um site com as fotos, até porque alguns dos textos funcionam mais sendo lidos em casa do que lidos no palco.

 


21hs “MONÓLOGO DA VELHA APRESENTADORA”, de Marcelo Mirisola
Direção: Jô Kowaliki
Elenco: Alberto Guzik


Gostei do figurino normalzão do Guzik, dele se maquiar na frente de todos e de por a peruca e inclusive de ler o texto. Essa interface incompleta falou muito pra mim.E o Mirisola se abrindo na primeira fila com o Ricardinho Lísias não teve preço.



23hs “ROURKE SONG”, de Marcelo Trasel
Direção: Fernanda D´Umbra
Elenco: Mário Bortolotto e Marcelo Rubens Paiva


Nunca tinha visto nada do Bortolloto, nem de texto, nem ele em cena. Leio o blog dele há uns dois anos. E nossa, quanto dèja vu. Eu me sentia dentro do blog dele que só tem texto ou avisando histórias dele e dos amigos; elogios, dele pros amigos ou, principalmente, dos amigos pra ele;, além – o que salva o blog – visadas sobre o mundo e dicas de blues. Bortolloto é um mito, uma figura nuclear que arrasta ao redor de si um séquito de homens-sim e homens aplauso. A claque que o acha genial e que enche o seu blog de comentários ficou lá aplaudindo e rindo com qualquer besteira que ele fizesse. O Marcelo Rubens Paiva – assumidamente como não-ator – deu à peça um tom de “papo de mesa de bar em cima do palco”.

 


24hs “SAD CHRISTMAS”, de Mário Bortolotto
Direção: Otávio Martins
Elenco: Alex Gruli e Nelson Peres

 

 

Bortolloto de novo. E o melhor foi assim que acordei pra comprar banana eu o vi com os seus indefectíveis coturnos desamarrados, nossa, me parecia um sapato de palhaço de circo mambembe. O texto é legal, bem construído, ri um bocado,  mas muito marcadão, fechado.

 


Sábado, 25 de Outubro

 

12hs "OS BONS NÃO TOMAM COMPRIMIDOS", de Emiliano Freitas

Direção: Grupo Vão de Teatro

Elenco: Ariel Lazzarin e Emilliano Freitas

 

Gostei dos lances de ironia, da mensagem com o Jesus do SBT dita nos domingos; da zoeira com a Ana Maria Braga; achei muito engraçado o EMilhado com os óculos rayban e o seu nariz de palhaço natural. Mesmo com as marcações bem à mostra, ri de algumas sacadas. Acho que falta ritmo ainda.

 

17hs “FOGOS NO CÉU DE MEIA NOITE”, de Franz Keppler

Direção: Flávio Faustinoni

Elenco: Luciana Ramanzini, Clóvis Torres e Offs de Rubens Caribé

 

Um dramão, mas pontuado pela leitura em off das rubricas. Legal né? Seria se esse expediente servisse pra outra coisa que não indicar o que as personagens iam fazer. Parecia mais jogo de futebol narrado em que o espectador assiste ao jogo e ainda ganha de brinde o Galvão Bueno dizendo tudo o que você acaba de ver.

 

Domingo, 26 de Outubro

 

02hs “GÊMEAS”, de Grace Gianoukas

Direção: Grace Gianoukas

Elenco: Paula Cohen e Tatiana Thomé

 

Humorzão bem Terça Insana mesmo e eu curto pra caralho. A peça estava cheia de referências a Sampa, mas nem com isso eu voei e não deixei de rir. Legalzinho, redondo – literalmente, o figurino onde as duas irmãs siamesas estavam era o globo – e com algumas piadas que fugiam dos lugares comuns.

 

03hs “NATUREZA MORTA”, de Mário Viana

Direção: Eric Lenate

Elenco: Anna Cecília Junqueira

 

Só fui pra fazer companhia a um amiga minha que conhecia o cara lá do CPT do Antunes. Fui, né? Nossa, a moça cuspiu um textozão. Aquilo não era bife, era um açougue. Tá, tem o preparação do ator, o método, essas coisas até deviam estar lá, escondidos que nem a tal da ação interna. Mas, o que eu vi foi uma atriz correndo com um texto que ela já conhecia, mas que a gente não. Bom, vou depois no google ver se acho o texto do Mário Viana e leio em casa, até porque, além de teatro eu também gosto de literatura.

 



Escrito por Astier Basílio às 17h36
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QUEBRANDO O GELO

Sarinha deixou um recado, em resposta à minha pergunta sobre a possibilidade de eu ver "Hygiente", do XIX.

Ela escreveu: " querido Astier, Hygiene acabou no último domingo, que pena!!!
Nesse final de semana estarei em Goiania com Negrinha mas na vila onde é nossa sede faremos apresentaçoes de um novo processo junto com o grupo Espanca de BH, não estarei presente mas acontecerá sexta sab e domingo a noite.
qqr coisa escreva!
bem vindo pra terra da garoa
beijo"

Bom, fui ver. Ainda estou atordoado com o que vi. Gostei imensamente e ainda não sei traduzir bem. Devo escrever por aqui. Me tocou dentro e longamente.



Escrito por Astier Basílio às 11h39
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PS do post anterior

Ter ido ao Satyrianas foi importante pra cair alguns mitos.

Um deles é sobre a possibilidade de algum dia morar em SP.

Ficou claro pra mim que por mais que a cidade me atraia, não me imagino

morando lá. Fui tragado pelo evento na sexta e no sábado de tal forma

que a primeira coisa q quis fazer no domingo foi voltar.

Ter ido me fez ver muita coisa sem o filtro que altera e melhora

a realidade. Sobre isso eu escrevi mais lá no blog da Bacante.

 



Escrito por Astier Basílio às 11h36
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SATYRIANAS

Foi muito, mas muito bom.

Pela primeira vez na vida tomei energético. Queria ficar o tempo todo ligado pra não perder muita coisa.

É claro que se perde sim e escolher é preciso.

Escolhi o "Dramatrix" - todo mundo me corrigia e eu ria maroto, repetindo o erro -

Guzik, a voz da Velha chegou. Gostei mesmo do incompleto ali mostrado, do estado de rascunho.

A letra vermelha do teu texto à mostra. Sabe o que me lembrou? Laudas batidas à máquina.

Foi muito bom ter encontrado o Mirisola e ter conhecido o Ricardo Lísias, também grande escritor.

E ter, no meio daquele turbilhão de teatro, ter me isolado com o Ricardo, o Evandro e conversado - só -

sobre literatura.

Desculpa Rodolfo, eu puxei a anarquia na hora que você como um paizão olhava nos nossos olhos

e argumentava que se não parássemos a polícia chegaria. Na hora é difícil controlar o incontrolável

e segurar o carnaval aceso na gente.

"Vocês podem cantar, mas baixo, tem criança, tem velhinho que mora por aqui, já são 4 da manhã!".

Rodolfo, continuamos a cantar baixinho e foi muito divertido, talvez o momento mais divertido de todo Satyrianas. Eu, o Emiliano, o Fabrício, a Ju, a Juli, o Gabriel e mais um amigo sério, de barba e fornecedor da melhor cachaça da Roosevelt.

Oi, Ivam, a gente mal se viu, né? Mas, foi legal te dar um abraço, foi massa te ver em cena com o Guzik - adorei a cena com os fotógrafos apontando para o público, foi um dos melhores momentos pra mim de todo "Dramatrix".

Sim, também conheci o Bac. Alô Bac, já já entro em contato contigo.

E pra vocês Fabrício e Juli, muito legal o colchão de ar de vocês e a hospitalidade e, mais do que tudo, terem me levado à Vila Maria Zélia.

Daniel Brito, meu velho, fui um hóspede muito do bosta. Desculpa, mas foi o turbilhão do Satyrianas que me tragou e me fez praticamente não sair de lá da Praça.

Quero voltar ano que vem, sim.

***

Fiz outro apontamento, esse será postado no blog da Bacante. Acho que os dois se complementam  



Escrito por Astier Basílio às 10h51
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