CADERNOS DE CABACEIRAS
Quando eu cheguei em Cabaceiras, já era à noite.
O letreiro só iluminava o "Nordestina".
Sem a luz do sol, o atrativo que tem chamado tanta gente a filmar por lá, o "Roliúde" ficou obscurecido.
Achei uma metáfora forte para entender a cidade que se intitulou de
"A Roliúde Nordestina".
Estou agora na Lun House e locadora "MC".
Aqui já tem o Batman novo pra locar.
"Comprei hoje em Campina. O rapaz me disse que era imagem de cinema, mas que prestava", me contou a M, acho que o nome dela é Miriam, o marido é Carlos, os dois são o MC da locadora.
Amanhã integro as gravações do vídeo "Bode Movie", direção Taciano Valério.
Vou interpretar o dono do bode.
Mais detalhes em outro plantão extraordinário durante a nossa programação.
Escrito por Astier Basílio às 22h02
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SITE DO NOVO LIVRO DE ANA PAULA MAIA
23:03 ana: ei
quer ver uma novidade?
eu: oi aninha
quero todas
:)
teu livro, pronto?
23:04 ana: acabei de receber o site novo do livro.
eu: me passa o link...
tõ abrindo aqui
ana: diga aí
23:05 eu: aninha, vou imprimir e ler os dois primeiros capítulos
ana: depois de dois anos e meio no ar com um templete tão singelo, eu tinha o compromisso de melhor
*template
eu: é tu qm manja disso?
23:06 ana: sim. leia e depois me diga
eu: ou rolou um little help...
:)
ana: nada! foi uma garota quem fez. os créditos estão no final da página. dá uma olhada em tudo depois.
ficou muito bom.
23:07 eu: vai ter trailler tb?
23:08 ana: aí já não sei
rs
eu: vai ser pela Língua?
ana: eu não aguentava mais o site antigo dos folhetins - novelas.
eu: sei
23:09 ana: estava um total esculhambo
eu: tá bonito paca, esse novo
ana: quanto a editora... eu não sei.
quer dizer.... eu já sei...
eu: [perguntei uma coisa nada a ver]
ana: mas vou dizer depois.
eu: tá...
:)
Escrito por Astier Basílio às 10h24
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À MANCHEIA
Recebi um livro, comprei três.
O que a Record me enviou, a meu pedido, foi O outro lado, de Ivan Junqueira.
Ele é um poeta que consegue perseguir os mesmos temas, o estilo é apurado, sóbrio, iluminado. É um artífice, no melhor sentido da palavra. Mestre nas rimas toantes, reescrevendo temas clássicos, é sempre agradável lê-lo.
Fui à Siciliano e comprei O vencedor está só, de Paulo Coelho.
O livro mescla suspense policial às benditas reflexões. Um clima acaba puxando o tapete do outro. Não sei se é porque eu me enquadre na categoria dos que não crêem e não dos crentes para quem Paulo Coelho escreve segundo disse Umberto Eco.
A trama policial até aqui – já li 45 páginas – é boa. Mas, quando Paulo fala sobre a futilidade do mundo dos ricos e discorre sobre os grandes valores, é chato muito.
Comprei ainda O Homem Lento, do J.M Coetzee, de quem nunca li nada. Já no primeiro parágrafo que descreve o acidente de um senhor de sessenta anos, Coetzee nos dá o seu cartão de visitas de mestre na arte de narrar. Impressiona.
O último livro, único que ainda não abri, é Contos Eróticos do mestre Luiz Vilela. Escritor que só usando diálogos sabe construir um mundo ficcional poderoso
Escrito por Astier Basílio às 10h05
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O ADEUS DE VANITA
Vanita se foi.
No último final de semana.
Ela comandava o Colégio Alfredo Dantas, sem levantar a voz.
Todo mundo tinha medo e respeito por ela.
Tive a chance de ser aluno dela, de história.
É que a professora Elite, também de saudosa memória, teve de se afastar para uma operação, Vanita a substituiu.
Ela ainda praticava a prova oral, coisa que já naquela época estava meio em desuso. Depois que saí do Alfredo Dantas, onde fiquei da quinta a sétima série, ainda mantive contato com ela, mesmo que de maneira coadjuvante. É que eu visitava Ceminha, a irmã de Vanita, as duas moravam na mesma casa, na Getúlio Vargas.
Ceminha era professora de literatura, a quem devo a minha primeira ida ao teatro e a confecção de meu primeiro livro. Lembro de que Vanita lia sempre. Uma vez, passou na nossa turma, escondido, sob as costas, não para que não víssemos, eu acho, ela estava lendo um livro sobre o crescimento do Japão.
“Eu não sou como Vanita. Quando ela começa um livro vai até o final. Ela está se atormentando diariamente aí. Começou um, vai até o fim pra tortura de todo dia”, me falou Ceminha numa das vezes que fui à sua casa.
Numa dessas visitas, Vanita estava por lá eu lhe disse:
“Sabia que eu nunca tive medo de você”.
“Medo? Medo de mim pra quê?”
Rimos.
Vanita significa “vaidade” em latim. E vaidade quem sente sou eu, de ter tido alguém como ela contribuindo na formação do meu caráter.
Escrito por Astier Basílio às 09h14
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OLAVO BILAC E DENISE STOKLOS
Escrevi sobre “Vozes Dissonantes” na Revista Bacante.
http://www.bacante.com.br/revista/critica/vozes-dissonantes
Apareçam por lá e pitaqueiem
Escrito por Astier Basílio às 01h39
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FIM DO FESTIVAL -pra mim.
Não sei quantos graus faz aqui em Campina Grande, mas o frio faz com que o Festival de Inverno faça jus ao nome.
Acabei de tomar um banho frio, mesmo com a temperatura que está aqui. Acabei de assistir a um show apoteótico: Siba e Fuloresta do Samba.
Foi numa praça da Bandeira em princípio chovosa e fria que todo mundo dançou frevo, ciranda, samba, maracatu e coco de roda.
Não tinha assistido ainda às apresentações com a nova formação do grupo que agora ganhou uma verdadeira orquestra de metais. Nunca ninguém fez o coco de roda orquestrado com sax, tuba. É simplesmente um escândalo de bonito.
Mas, não é só musicalmente que o trabalho é sofisticado, mesclando elementos tradicionais com uma roupagem viva, pulsante – metáfora melhor disso é o galego do trombone dançando breik – Siba é um poeta extraordinário. As letras estão mais simples, as rimas mais fáceis, todavia o nível de elaboração poético é altamente bem realizado. Posso citar de memória o belo coco “João do Alto”, sobre o urubu cujo “paletó, a morte também costura”.
Não vou assistir ao encerramento amanhã do Cordel com Bnegão, nem Débora Colker. Mas, já fico com saudades. Até o ano que vem.
Escrito por Astier Basílio às 00h33
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