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FESTIVAL DE INVERNO- quinta

Quando eu cheguei à Praça da Bandeira, cinco e pouco da tarde, já tinha fãs do Teatro Mágico por lá, esperando o show que começaria duas horas depois.

Fui a um lun house, no Calçadão e dava pra ouvir se o show começasse.

Foi um grande erro, esse.

Quando cheguei lá, mal dava pra caminhar em toda extensão da praça.


***


O que foi que eu achei do Teatro Mágico que até então nunca tinha ouvido sequer qualquer coisa?

A resposta pode ter duas versões.

Versão um ou versão poliana.


“Mesmo que as letras não sejam lá super-elaboradas, o som não seja também revolucionário, a meninada que vai lá sente-se tocada e se encanta com o figurino da banda, com os elementos circenses postos no palco. Há uma verdadeira legião de admiradores que não tem vergonha de pintar o rosto, pôr nariz de palhaço e cantar quase todas as músicas num coro bonito.

Existe coisa muito pior, como por exemplo os forrós pornográficos e escatológicos que a três por dois grassam nossos ouvidos através de imbecis móveis que levam a porta do carro e poluem o mundo”.



Versão dois ou versão smurf zangado:


“Letrinhas bobas, com trocadilhos infames e pueris como 'o teu afeto me afetou', o Teatro Mágico nem é teatro, nem é mágico. É musiquinha fast-food, sem substância. Sabe miojo? que três minutinhos tá pronto. Aí o carinha pega os elementos do circo e pasteuriza tudo. Logo o circo uma arte popular cuja burguesiazinha adora por o narizinho ridículo de palhaço, mas dificilmente sai de seus condomínios pra freqüentar os circos itinerantes, quando muito vão aos Beto Carrero da vida. O somzinho também é muito pasteurizado e vagabundo.

O Teatro Mágico é o Paulo Coelho da música.



Escrito por Astier Basílio às 09h12
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FESTIVAL DE INVERNO

            Quinta é sempre um dia puxadíssimo. Fechamos as edições de sexta e de domingo, do caderno de cultura.  Saí agorinha do jornal.

            Vamos ao festival de inverno de ontem.

            Ontem vi um grupo de choro na Praça da Bandeira. Substituíram a orquestra José Siqueira, o nome não estava no programa. Perguntei a um pessoa da organização que me disse se tratar do – foi isso o que eu ouvi – “Chouriço” – sim, aquele doce com sangue de porco que eu nunca tive coragem nem de ver a cor.

            Que trocadilho infame.

            Mas o som, muito bom.

            Jacob do Bandolim, Valdir Azevedo, Pixinguinha, Paulinho da Viola.

            Tudo ótimo. E tinha um bêbado fazendo uma coreografia muito lírica, em frente ao palco.

***

 

            À noite teve “Vozes Dissonantes”, com a Denise Stoklos.

            Ele é muito boa. Tem um trabalho físico que salta à vista.

            Ela atua, dirige e escreve.

            O texto foi feito em 1999. Comemorações dos 500 anos do “descobrimento” do Brasil. Pois é. O texto era muito lugar comum. Sabe, o bom mocismo politicamente correto? E mais: só foi até a ditadura militar – quando era fácil reconhecer o inimigo, que usava até farda.

E agora? Precisamos de uma dramaturgia que reflita as nossas dores, angústias, o nosso tempo. Ficar chorando ou exaltando os fantasmas da ditadura não porá luz aos problemas e aos novos paradigmas hoje.

Ela me lembrou Olavo Bilac, o príncipe dos poetas brasileiros.

A literatura chegou ao século XX, mas ele, e meio mundo de gente, continuava presa ao século anterior, e tome estilo, e tome rima, e tome técnica. Mas e o mundo? E o Brasil? E as angústias do nosso tempo?

Só duas décadas depois, com a Semana de 22, é que a arte veio se atualizar e questionar seus paradigmas. Precisamos de algo semelhante nos dias de hoje, de algo que consiga dizer do hoje

 



Escrito por Astier Basílio às 18h20
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o comentário de Daniel Brito

Reproduzo aqui o comentário do meu amigo Daniel Brito, sobre o post com os "melhores do semestres".

[daniel] [muitodenada.blogspot.com]

excelente lista. Desses, só não vi "jogo de cena". O romeno é um filme de terror sobre a amizade, uma coisa fantástica (http://muitodenada.blogspot.com/2008/01/ajudar-por-ajudar.html). A vida dos outros também deixa uma lacuna sobre a morte da mulher. Foi suicidio ou acidente? Já ouvi varias versoes para as duas situacoes. "Os fracos" é interpretativo. Quem vai ao cinema esperando ver um final holywoodiano se decepciona. Até pq, na minha pálida opiniao, a narrativa inicial justifica o filme inteiro (http://muitodenada.blogspot.com/2008/02/cheiro-de-oscar.html). Numa visão simplista, já criticas dizendo que o "mal prevaleceu". O banheiro do papa, que é da produtora de fernando meirelles, não me cativou muito pq tinha acabado de fazer uma grande mudança, a cabeça estava lotada de coisas novas e não assimilei bem o contexto. Mas é bom também. Aliás, só uma dúvida, os cinemas de joao pessoa subiram de nível assim? abração"

Respondendo:

Daniel, velho. Só vi o romeno e o dos irmãos Cohen em João Pessoa, o restante no Rio de Janeiro e em São Paulo quando estive de férias em abril.



Escrito por Astier Basílio às 16h11
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FESTIVAL DE INVERNO - COBERTURA-

Estou em Campina Grande.

No caminho, só pude ler um pouco o meu Fantasma sai de cena. A Real só acendeu a luz depois do Cajá.

Faz um friozinho dos melhores, para quem como eu, aprecia.

Vou ficar mandando “flashes” daqui do meu blog. Ficarei até domingo.

 

***

 

Cheguei quase em cima da hora, mas deu pra ver “Henfil, Já”, peça da Companhia Cambutadefedapada!, que é de Curitiba.

O teatro do Sesc cheio – muito bom assistir espetáculo assim, com o público ávido .

“Sabe qual é a cara da indignação?”, pergunta o ator, logo no início. Será que a gente esqueceu? Mas, será que se indignar, como se indignava no tempo do cruzeiro, no tempo do Figueiredo, é a saída, a solução ou, melhor, consegue falar sobre as nossas dores, as nossas questões – sim, porque elas não são as mesmas do passado, do tempo do Henfil, do tempo das Diretas!.

            O passado se repete como farsa, dizia Nietzsche. Mas aqui, o grupo recupera os motivos e os retrabalha, nos melhores momentos da peça, como paródia, no sentido original do termo, de canto paralelo.

            É preciso que eu diga antes de tudo uma coisa: gostei. Sexta, sairá resenha, no JP, aguardem

***      

            Naná Vasconcelos.

E Virgínia Rodrigues.

Nossa, senhora.

Que show!

Teatro Severino Cabral lotaaaaaado. Gente sentado no chão ou – como eu – encostado na parede.

A iluminação do espetáculo muito bem desenhada. As figuras que evocavam o mar casavam com os sons da abertura de Naná e foram bem utilizadas ao longo da apresentação, realçando e valorizando aspectos do show.

Eu não conhecia a Virgínia.

Ela entrou toda de amarelo, como uma rainha. Uma rainha Cambinda.

A platéia, bem receptiva. Tipo, quando ela deu boa noite e disse: “nunca tinha vindo à Campina”, alguém disse “seja bem vinda...”.

O clima de diálogo se intensificando. Teve uma hora que, aquela mesma vozinha que aqui acolá dizia uma coisa mais alta, foi ouvida ao fim de uma canção: “quem te ensinou a cantar desse jeito?”. E isso bem alto. Tava ficando chato já. Aí uma outra voz retrucou: “Cala a boca, chato!”.

Foi tipo o “por que não te calas”, do Rei da Espanha ao Hugo Chavez.

Continuamos com a mesma pergunta do chato – “onde ela aprendeu a cantar daquele jeito” – e de vez em quando o chato dizia q ela, a Virgínia, tinha de lhe dar um beijo. “Só se o Naná deixar”, respondeu.

Ele, o Naná, até que deixou, quem não quis foi Eneida, a presidente do evento. E com toda a razão do mundo, "Arthur-ur, deixe não, viu. Não deixe ninguém entrar não". Ninguém aqui era o chato. E eu penso que o chato deve ter um amigo que foi levá-lo até em casa casa pois o referido não passaria no teste do bafômetro nem a pau.

O maluco queria beijar a Virgínia.

Mas, não era só ele não: eu, todo mundo que de pé pediu pis e foi atendido.

E Naná?

Um Midas que tira música de tudo. O que foi aquele solo com o birimbau? Ele arrancou acordes até da cabaça.

Foi monumental.



Escrito por Astier Basílio às 01h44
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ANTOLOGIA PESSOAL

Banho
(Rural)
                 
 
De cabaça na mão, céu nos cabelos
à tarde era que a moça desertava
dos arenzés de alcova. Caminhando

um passo brando pelas roças ia
nas vingas nem tocando; reesmagava
na areia os próprios passos, tinha o rio

com margens engolidas por tabocas,
feito mais de abandono que de estrada
e muito mais de estrada que de rio

onde em cacimba e lodo se assentava
água salobre rasa. Salitroso
era o também caminho da cacimba

e mais: o salitroso era deserto.
A moça ali perdia-se, afundava-se
enchendo o vasilhame, aventurava

por longo capinzal, cantarolando;
desfibrava os cabelos, a rodilha
e seus vestidos, presos nos tapumes

velando vales, curvas e ravinas
(a rosa de seu ventre, sóis no busto)
libertas nesse banho vesperal.

Moldava-se em sabão, estremecida,
cada vez que dos ombros escorrendo
o frio d’água era carícia antiga.

Secava-se no vento, recolhia
só noite e essências, mansa carregando-as
na morna geografia de seu corpo.

Depois, voltava lentamente os rastos
em deriva à cacimba, se encontrava
nas águas: infinita, liqüefeita.

Então era a moça regressava
tendo nos olhos cânticos e aromas
apreendidos no entardecer rural.

ZILA MAMEDE



Escrito por Astier Basílio às 12h01
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10 mil acessos

Já tive outros blogs.

O primeiro foi lá no começo mesmo, acho que em 2004, 2005.

Não lembro.

Retomei esse aqui mais diversificado, poesia, restos

de matérias, teatro, livros, cinema.

Está sendo divertido.

Não tem nem um ano ainda, fará em outubro.

Acesso 10 mil.

 



Escrito por Astier Basílio às 21h08
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dos emblemas do dragão

Há lugares em ti: vales e ilhas

que não podem ser postos em um mapa.

Um encanto invisível altera as vias

do teu chão. O teu chão tem vento e asas.

 

Um caminho de lendas e de sopros,

um cristal de afogados. O tempo abre

-se como um giro de plantações de fogo.

Rezo ao deus que possuis, um deus de carne

 

e de osso. Um chão, ateu e místico,

é o lugar onde eu deito, onde eu naufrago.

És o chão que celebro. O chão, no íntimo,

 

tem formato de sede e tem formato

de abismo. Um chão, andando em círculos,

e uma floresta de incêndio a cavalgá-lo



Escrito por Astier Basílio às 16h51
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OS CINCO MELHORES DO SEMESTRE

            Ricardo Oliveira, meu amigo do Diversitá – o link tá aí ao lado – me pergunta sobre o meu Top 5 – de filmes desse semestre. Imagino que sejam os filmes que eu vi no cinema, não sei se estréias, ao menos filmes que estavam em cartaz, presumo. Vamos lá. Como há três anos anoto tudo que leio e vejo, fui na agenda vamos a minha listinha que segue abaixo. Embora não seja muito fã de hierarquizações. Ficar em primeiro ou em quinto, não os coloca em muita diferença um do outro.

 

***

 

 

 

A vida dos outros (Florian Henckel von Donnersmarck, Alemanha, 2006). 

Saí do  inema perturbado. O filme me lembrou muito A Ponte do Rio Kwai, na medida em que um soldado obcecado entra em conflito ao por em dúvida se a tarefa a que está se dedicando com tanto afinco é ou não correta. Não ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro à toa.

 

 

 

Onde os fracos não têm vez (Joel e Ethan Coen, EUA, 2007).

Mais do que um falso faroeste cheio de lacunas, esse filme é a história de um pai em busca do próprio filho. Tommy Lee Jones, no final, quando conta o sonho no qual encontra com o seu próprio pai, mas jovem do que de quem parte atrás, é na verdade, o seu filho a quem tentou proteger. Pode ser uma leitura louca, mas encontro elementos que a embasem. O bom do filme? Nos propiciar uma leitura aberta e a possibilidade de preencher as lacunas do roteiro, além disso, o Javier Bardem em ótima performance.

 

 

 

Jogo de cena (Eduardo Coutinho, Brasil, 2007). Um palco.

Uma câmera. Coutinho. Uma atriz. Uma atriz ou alguém dando  um depoimento verdadeiro. Alguém dando um depoimento verdadeiro ou interpretando? Nos limites destas dúvidas nasce a grandeza desse documentário que sabe a ficção, um verdadeiro jogo teatral, metalingüístico, uma brincadeira com os espelhos.

 

 

 

 

Banheiro do papa (César Charlone e Enrique Fernández, Brasil/Uruguai/ França, 2007).

O pobre diabo que constrói  gasta todas as economias pra construir um banheiro, onde os fiéis católicos pudessem se aliviar, enquanto sua Santidade pregava na cidadezinha, é uma das narrativas mais pungentes, dolorosas, cômicas e líricas que vi nos últimos anos. Uma estória que conjuga contrários, cujo eixo principal é: fé e dinheiro. Esperança e realismo duro.

 

 

 

 

 4 meses, 3 semanas e 2 dias (Cristian Mungiu, Romênia, 2007). 

 O que é a aquela seqüência final, de pleno suspense no qual só foi preciso domínio do enredo e uma boa fotografia? E o que é aquele final encerrado quase como nos puxar o tapete, abrupto, seco, sem anestia, em que a amiga que ajudou a outra a fazer o aborto limitou-se a dizer: não vamos falar mais sobre isso, nunca?

 



Escrito por Astier Basílio às 18h52
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VAU DA SARAPALHA - PARTE 2

           “Olha aqui pra nós, não vai dizer isso a ninguém, nem muito menos no jornal, mas do jeito  está, eu não vou fazer mais ‘Vau’. Já coloquei isso pro grupo”. Everaldo já tinha dito isso a mim um ou outra vez. “Não dá mais”.

            A Piollin tinha aprovado um projeto de circulação com a Petrobras. “Depois desse eu não faço mais”.

            O sucesso da peça fez quase que todo o grupo ter uma carreira no cinema nacional: Luiz Carlos Vasconcelos, Carandiru (Babenco), Baile Perfumado (Lírio Ferreira, Paulo Caldas) e Árido Movie (Lírio Ferreira); Everaldo Pontes São Jerônimo (Bressane), Abril Despedaçado (Walter Salles); Soia Lira Central do Brasil  (Walter Salles); Nanego Lira Grão (Petrus Cariry); Servílio Holanda Baile Perfumado (Lírio Ferreira, Paulo Caldas).

            “Vamos acertar tudo agora. Aquele telefone que está tocando ali é de um cara de Mato Grosso que quer que eu passe duas semanas lá. Eu vou dizer a ele que não. Mas, vamos aproveitar esse tempo para ensaiar ao máximo”.

            Luiz Carlos tinha sido incisivo. Escurinho meio que protestou, tinha suas obrigações, dias em que não poderia vir. “Vamos ver a agenda. O dia que um não puder a gente encaixa”, contou.

             Luiz, que parecia mais um ator da companhia durante os exercícios corporais, se transformou no ensaio de Vau. Amarrou o longo cabelo num rabo de cavalo, colocou um par de óculos e com um caderno e um lápis, sempre de olho num cronômegro, passou a reger cada minúcia. Parecia um Super-homem, mas usando o disfarce do Clark Kent.

          Nanego Lira disse que ler o conto de novo, enfrentar Vau da Sarapalha através de novas pesquisas e experimentações, algo que parte do grupo – ele, Everaldo e o irmão Buda – já vinha fazendo em A Gaivota (alguns rascunhos) estava sendo muito importante. “Nos sentimos um grupo mesmo, coisa que fazia tempo não nos sentíamos, com uma rotina de ensaio, leitura, discussão troca”

            Everaldo falou que os compromissos de cada um acabaram por fazer com que a Piollin se reunisse só para apresentar o espetáculo. “Um dia a gente se reúne pra ensaiar, discutir o espetáculo. Um dia, um dia, um dia e esse dia nunca chegava”.

            Quando o ensaio acabou, todos com a agenda na mão, acertando as datas e combinando. “De tarde já vimos que não dá certo com todo mundo cansado e cheio de muriçoca”, disse Luiz.

             "Espere aí, quero fazer uma pergunta a cada um do grupo". Soia que ia embora logo foi logo dizendo: "ah! eu não sou muito boa de falar não".  Dela me veio a fala mais simples e mais direta: "Estou começando do zero. Quando eu comecei a fazer Vau tinha 27, hoje eu tenho 43. Muito mudou na minha vida, a forma como eu via Guimarães Rosa, a leitura que eu faço é outra", conta. Mas o corpo também já é outro. "Ah, estou vendo o que consigo fazer, voltando a me exercitar", disse. 

          A estréia desse Vau da Sarapalha 'reload' vai ser em São Paulo. Estréia não. Eles vão apresentar para de um processo de pesquisa que não vai se encerrar. Igual há 16 anos. Estrearam em processo. "Dessa vez a gente não vai fazer mais temporadas, só vai apresentar Vau em mostras, festivais e em teatro de arena, não vamos mais fazer em palco italiano", conta Everaldo. 
       A cena que eu vi o grupo passar era a inicial. Eles ensaiavam o que deveria acontecer no escuro. Me senti dentro da caixa mágica. Dentro do palco. Imerso em uma energia e em um fogo que só eles tocam.



Escrito por Astier Basílio às 17h54
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VAU DA SAPARALHA - PARTE UM-

            Quando cheguei à salinha onde Servílio e Everaldo já alongavam, pensei que poderia voltar à redação em meia hora, no máximo quarenta minutos.

            Não por vontade minha, é claro. Mas sei como é que as coisas funcionam. Equipe pequena, enfim. Estavam todos. O elenco de Vau e da Gaivota, todos juntos. Cheguei às nove da manhã. Dez e pouco, o telefone da redação chama. É André, meu editor. “E aí?”, “Bicho, vai demorar”, “Tá, depois eu te ligo então”.

            Meia hora depois, ligou novamente. “Nada?”, “Começaram agora a ensaiar o Vau, antes era com todo mundo, estão passando as cenas”, “A fótografa já pode ir, não é?”, “Pode, né?”, “então, fica aí”, “é melhor, sair daqui sem a matéria é pior”.

            Fiquei.

            Everaldo é de longe o mais brincalhão do grupo. Me enganei. Perde só pra Buda Lira, que é um palhaço full time. Mas, Buda continua com as presepadas, aqui e acolá, nos ensaios, Everaldo não.

           Na sala de ensaio quando Luiz ou Buda se excediam, era Everaldo quem dava um longo xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, pedindo silêncio. "Agora só o pessoal de Vau "

            Quando vendi a matéria na redação, o meu editor comprou.

            Ao meio dia, quando o ensaio terminou e eu pegava as últimas falas, o celular toca de novo. "Acabou agora. A matéria vai ficar do caralho!".

 

(continua)

 

 



Escrito por Astier Basílio às 13h10
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ROTH, O MEU BERGMAN

             Escritor preferido. Não me lembro de terem feito essa pergunta a mim. Nem eu mesmo. O certo é que esta posição vem sendo ocupada, pouco a pouco, livro a livro, pelo escritor americano Philip Roth.

            Passei a ler mais romances, nos últimos anos. Roth foi uma descoberta. Fala-me diretamente. Me identifico com a crueldade de sua verdade, com a forma direta e sem piedade ou auto-complacência  com a qual se dirige sobretudo a si próprio.

            Fiquei estatelado com Homem Comum.

            Comprei agora o mais recente, Fantasma Sai de Cena.

            Antes de ler esse romance, li Diário de Uma Ilusão – o título da edição brasileira é horrível, o original chama-se The Ghost Writer.

            É nesse livro que aparece pela primeira vez Nathan Zuckerman, alter ego que acompanha mais outras obras de Roth.

            Fantasma Sai de Cena traz um Zuckerman arruinado. Bem diferente do moço empolgado com a literatura. O personagem é outro. O escritor não. Mantém-se o estilo, aqui, muito mais depurado.

            Roth está se tornando o meu escritor preferido.

            Da mesma forma como Bergman tornou-se o cineasta de minha predileção.

            Os dois conversam diretamente comigo.

            Mesmo assim. Apesar da familiaridade, a companhia deles não é a melhor coisa do mundo.

           



Escrito por Astier Basílio às 02h20
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DREAM

          

            Sonhei ontem que eu fazia um show de humor.

            Show de humor.

            Lugar pra no máximo vinte pessoas.

            Uma igreja abandonada. Para entrar na platéia e no palco, precisaria passar por umas escadas em caracol, velhinhas.

            Chamei alguns amigos, poucos.

            Alguém – era um rosto conhecido do tempo da faculdade, uma turma mais nova que eu – dizia: “Astier. Show dele”. Phelipe Caldas, jornalista e colega do portal Paraíba 1, aparecia e checava a informação, espantado: “Astier Basílio?”.

            A platéia já havia chegado.

            Não mais que vinte pessoas. Menos. É. Menos que vinte.

            Cheguei ao palco.

            Há um corte aqui. Eu já estou num local, acho que o lado de fora dessa mesma igreja. Eu conto o que aconteceu: “Sabe o ‘De Olhos Bem Fechados’, aquela cena lá quando Tom Cruise chega, aquele povo vestido de preto e com máscara? Pronto. Foi isso. Cheguei ao palco e um cara com roupa e chapéu preto e máscaras – agora, as máscaras parecem com as dos bandidos que fizeram o assalto do coringa, na primeira cena do Batman – dizia, sem falar nada, que eu fosse embora. Eu fui”.

            Era um stand-up comedy.

            Eu lembro que tinha uma piada boa. Uma piada não. Um personagem. Estava guardando pra algo que fosse escrever depois. Gastei ali.

 

                       



Escrito por Astier Basílio às 01h42
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