a memória é uma ilha de edição
ontem fiquei sem sono, algo que eu comi no jantar. Tenho quase certeza de que foi o pé de moleque. Fui escrever. Adiantar o trabalho duro do dia seguinte, fiz duas matérias, uma resenha do livro "O Meio do Mundo", de Antônio Carlos Viana. Fui pro msn e encontrei um amigo da época do científico, Thyago. Passamos a noite toda relembrando coisas de dez anos atrás. Minha memória sempre foi muito boa. Relembrei coisas engraçadas que vivemos. Me surpreendi quando Thyago trouxe do fundo do baú algo que eu tinha "cortado" da edição de minha memória. "lembra o dia q avisaram que o professor de português tinha faltado aí você falou que não precisava dispensar a turma que você mesmo iria dar a aula?" Não, eu não lembro de nada disso. Foi um ato de arrogância. Fiquei com uma vergonha e tentando lembrar do que me fez intervir daquela forma. "Metade da turma ficou, a outra foi embora, puta da vida". Fiquei pasmo. No final do nosso papo, disse a Thyago: "acho que continuo o menino arrogante que queria atrapalhar a folga da turma".
Escrito por Astier Basílio às 10h05
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Começa sexta, o Congresso Nacional de Violeiros de Campina Grande.
Serão dois dias, no Teatro Severino Cabral.
Estarão lá Ivanildo Vila Nova, Geraldo Amâncio, Zé Viola, Moacir Laurentino, Sebastião da Silva, Chico Pedrosa, a turma de sempre.
Falar do Congresso é falar da minha infância.
Reecontrar amigos.
Falar de versos do passado.
***
Sexta, sábado e domingo, peça com o Bruno Gagliasso.
Na semana seguinte, peça com Elizabeth Savalla.
Os Globais em turnê.
É engraçado, tem uma galera que só vai pra teatro com famoso em cena.
Por aqui, algumas coisas, todas comédias.
Não tive tempo de ver nenhuma.
Vou ver se acompanho algo semana que vem.
***
Ontem o Guzik me deu um poema. Passei pra dar uma olhada no blog dele, deixei um comentário a palavra me pegou pelo pé. Escrevi um poema sobre faroeste. Gracias.
Escrito por Astier Basílio às 09h36
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O nome dela é Concha Buika.
Uma negra linda.
De Mallorca, Espanha.
Gosto da voz dela.
Tem tragédia dentro, quando ela canta.
Devo dizer que ouvi pouco, duas músicas.
Descobri seu site (http://www.buika.net)
e lá uma frase sua:
“componho para não odiar e canto para não enlouquecer”
Aqui (http://www.youtube.com/watch?v=63KNNI0REdU)
clip de sua mais nova música,
'La falsa moneda', a que ouvi primeiro.
Escrito por Astier Basílio às 10h26
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joão gilberto noll, francisco carvalho
Em caminho pra Campina Grande levei alguns livros pra ler durante a 1:40 minutos de trajeto.
Escolhi um romance na estante. "Hotel Atlântico", de João Gilberto Noll.
Nunca tinha lido nada dele.
Noll esteve em João Pessoa tempos atrás.
Não gostei nada da misè-en-scene.
Exageraaava. Falava como um monge. Tudo nele era mitificação.
O tom monocórdio com que ele lia os contos de seu "Mínimo, Múltiplo e Incomum" provocou
em mim uma sincera e desbragada crise de riso.
Tive de sair da sala.
Era muito ridículo.
"Hotel Atlântico" é um "road movie" literário. Começa em Copacabana. O cara vai se deparando com a morte em cada trecho de uma viagem, que não está pré-determinada.
Na minha bolsa também estava "Os mortos não jogam xadrez", do poeta cearense Francisco Carvalho.
Um octogenário. Um dos maiores poetas vivos do Brasil.
Veja só o belíssimo:
"Soneto para uma Rainha"
Estavas velejando em teu sossego, quando a sombra da morte te rodeia, qual serpente chegada do desterro para cumprir os ritos de uma ceia. Ao som do vento, às portas de um castelo, vaticínios de aldravas pela aldeia. O Tejo, agora, é um dragão amarelo que ao luar das guitarras devaneia. As catedrais soluçam quando passas aos olhos marejados de Lisboa, com teu longo vestido de fantasma, teu cetro de brilhantes e coroa. Em cada olhar de espanto se adivinha a que depois de morta foi Rainha.
Escrito por Astier Basílio às 09h29
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juvenal e joão marinho
Morreu na última quinta o repentista João Marinho, que há alguns anos morava no Amazonas.Na semana anterior, quem tinha falecido era o seu colega, Juvenal de Oliveira, em Campina Grande.
Os dois fizeram história na cantoria nordestina. Foram pioneiros na fundação da Associação de Repentistas e Poetas Nordestinos, cantaram nos primeiros festivais e, essencialmente, foram cantadores de rádio.
João Marinho, houve uma época, morou uns tempos na Casa do Cantador, em Campina, sede da Associação. Nesse tempo eu tinha 14 anos e dava expediente lá. Passei várias tardes ouvindo-o em sua voz grave, seu gesto medido e elegante. Era um dos cantadores mais elegantes que eu conheci. Sempre arrumado, com discrição. Tinha uma cabeleira bonita quase toda preta, que penteava com um pente sempre à disposição no bolso. Penteava-se, com esmero, para trás. João tinha um olhar aguçado por trás dos óculos de grau verdes. Sabia ouvir.
Assisti a poucas ou não lembro se vi alguma cantoria de pé de parede de João Marinho. Lembro dele cantando no microfone da Rádio Borborema, no Retalhos do Sertão. De vez em quando, João vinha do Amazonas passava uns dias por aqui.
Juvenal de Oliveira é uma figura que pertence ao meu imaginário desde criança. Ele cantou nos programas de rádio de meu pai. Além disso acompanhei meu pai em cantorias com Juvenal em sítios, bares. Gostava de charadas, de palavras cruzadas, primava pelo português correto, tinha uma voz potentíssima. Lembro de uma fita k7 que ele gravou com o poeta Titico Caetano e numa das faixas os dois cantaram um gênero, não sei se um galope à beira mar, falando sobre células.
Ambos eram pessoas respeitadas no meio da cantoria. Nunca foram da primeira divisão, da elite do repente. Mas, eram além de bons poetas excelentes pessoas que primavam pela amizade e que cumpriam com compromissos.
Segue abaixo uns versos que fiz em homenagem a esses meus dois grandes mestres.
João Marinho afinou sua viola,
pôs os óculos, jogou fora o cigarro
temperou a garganta e o seu pigarro
veio à tona mas isso ele controla
Juvenal ajeitou gravata e gola
não deixou um botão de abotoar
disse a João: “ Você pode iniciar
que eu começo no próximo baião”
Se no céu tem "Retalhos do Sertão"
uma dupla de mestres vai cantar.
Escrito por Astier Basílio às 12h30
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