gerúndios
OUVINDO: Redd Kross LENDO: Belvedere, Chacal INDO: pra Academia... de malhação, não de Letras. PENSANDO: em arrumar meus livros, procurei uns ontem, demorou muito VOLTANDO: a ler os jornais do mundo, como sempre fazia. ESPERANDO: retomar alguns projetos. TENDO: algumas idéias, alguns abismos. QUERENDO: ver os filmes que Renato Félix emprestou ao meu sogro, que tão lá em casa.
Escrito por Astier Basílio às 10h15
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UM FAROESTE NA FALA
minha arte é marcial lutada em claro minha solidão tem mais auroras que cansaços
Meu nome é ninguém, porém, não aceito pactos: minha parte é com o silêncio.
O meu estado é de sítio; a minha casa, o contrário. Sou mais meu conflito do que o palco.
Meu número não tem comentários e o que eu miro não é no fácil
Escrito por Astier Basílio às 21h58
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não sabia o q era um ecran
Comecei a me interessar por cinema tarde, com vinte e poucos anos. Lembro que em 2000, fiz uma viagem longa pra Bahia, de ônibus. Eu fiquei ao lado de Anakã. Colega do curso, poeta, grande amigo. Logo no começo, ainda em Campina Grande, ele me disse: “vamos falar sobre cinema?”, respondi: “eu não entendo nada de cinema”. E não fazia charme ou tipo. Naquele tempo tudo o que não fosse poesia, literatura.
Anos depois, fazia um tempão que eu não encontrava com o Anakan. Sentei ao lado dele noutro ônibus, Campina Grande – João Pessoa. Os carros da Real exibiam filmes. Me espantou o fato de que estavam apresentando não um água com açúcar, comum nas viagens, mas “O Homem que Matou o Facínora”, do John Ford.
- É não... disse Anaka olhando.
- É sim. Olhe direitinho.
Era meio absurdo, aquele filme no ônibus. E mais absurdo ainda eu identificando o filme, assim que bati o olho.
- O que eu gosto nesse filme é da atuação do Gregory Pack. Ele tá muito bom... dizia
Anakan
- Não é o Gregory Peck não, interrompi....
- É sim...
- Olhe direitinho. É o James Stewart, falei.
Foi meio espantando que Anakan reconheceu isso. Era mesmo o James Stewart.
Instantes depois. “Vamos falar de faroeste”, sugeriu Anakan. Concordei. Já tinha visto algumas coisas. Fomos comentar os clássicos.
- E “Shane”?, começou Anakan.
- Ótimo né,?
- Gosto muito do John Wayne naquele filme...
- Não é o John Wyne não, viu...
- Não?
- Não é não. Esqueci o nome do ator, mas não é o John Wayne, respondi.
- Pronto. Painho vem me buscar. Ele sabe quem é o ator.
O pai de Anakan, Marcos Agra, poeta, cinéfilo, foi meu professor no curso de letras. Assim que chegou no carro, entramos, Anakan perguntou quem era o ator.
- Alan Ladd
Anakan relembrou a viagem a Salvador.
- Há pouco tempo você não sabia o que era um ecran ...
***
Depois de, nos meus tempos de “cinema de autor”, odiar o Speilberg, vou ver o Indiana Jones, o novo (veja o clip aqui: http://www.elpais.com/videos/cultura/Trailer/defintivo/Indiana/Jones/Reino/Calavera/Cristal/elpvidcul/20080507elpepucul_5/Ves). Mas antes, vou assistir aos anteriores todos. Como fiz com o Homem Aranha 3. No dia da estréia vi o I às 9 horas; o II, às 14 e III às 20 horas, no cinema. Foi ótimo.
Escrito por Astier Basílio às 11h29
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maio de dois mil e oito
Quando é que 1968 vai acabar?
Acho que o passado é uma espécie de Rei Midas.
Tudo o que passado toca vira ouro.
Por que será que várias vezes ouvi de jovens de minha geração dizer e lamentar que nasceram no tempo errado, que queriam ter vivido nos anos 1960?
Não somos politicados, não temos causa?
Não ir a uma passeata é um ato político.
O silêncio é, também, um ato político.
Não temos causa?
Que admirável mundo louco é esse de cada dia.
Será que, ao invés de um futuro, construimos agora a saudade do presente, a nostalgia do que virá?
Será que temos que usar óculos de retrovisores pra sempre?
Escrito por Astier Basílio às 15h28
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Senhora dos Afogados - made in PB
- Oi Servílio, tudo bom?
- Tudo bonzinho.
- Novidades? Algum projeto, montando alguma coisa?
- Sim. Tô dirigindo uma montagem do “Senhora dos Afogados”.
Servílio se antecipou a mim. Acho que a minha cara de “comãssim” deu a entender. Ele foi logo se explicando.
- Cara eu sei que o Antunes montou, o Zé Celso tá montando, mas são essas coincidências.
Não conheço o grupo de Servílio, o que ele está dirigindo. A montagem não será pela Piollin, mas, acredito, com alunos com os quais ele trabalha num projeto desenvolvido lá. Ainda não sei ao certo. Ele me falou por cima.
Servílio Holanda, pra quem assistiu a “Vau da Sarapalha”, é o ator que interpreta o cachorro.
***
Fiquei pensando, por que Nelson?
Por que essa peça?
Bom, não tem nada ver especular sobre escolha.
Escolha é escolha e é dele. Fazer o quê?
Tem tanto texto bom, contemporâneo, de autores que ainda não foram montados por aqui.
Ao passo que não houve – pelo menos não lembro – grandes montagens de Nelson nos últimos anos.
Escrito por Astier Basílio às 00h23
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Eles eram muitos livros
Fazia muito tempo que eu não lia um romance policial. Acho que só tinha lido um em toda minha vida, “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie. Isso sem considerar “O Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue”, de Ariano Suassuna e “O Nome da Rosa” que extrapolam as classificações do gênero.
Terminei ontem – um dia tumultuado, sem sono – de ler “A Cidade dos Vidros”, do inslandês Arnaldur Indridason. O livro saiu pela Coleção Negra – Noir Europeu, da editora Record. Confesso que só li devido ao dever de ofício da coluna do Jornal da Paraíba que me obriga a resenhar um livro por semana. Li e gostei. Pesquisei o filme 'Múrin' (ilustração do cartaz aí embaixo) – mesmo título do original em inslandês – na internet.
Já comecei a ler outro volume da coleção, “O Vôo de Sexta-Feira”, do alemão Martin W. Brock. Esse mais chato. Pelo menos é a impressão que eu estou tendo.
São as leituras de obrigação. Os lançamentos. Parei nas primeiras páginas de “O Vermelho e o Negro”, do Sthendal que me pareceu extraordinário. Estou com leituras estacionadas, a biografia dos Beatles por Bob Spitz, parei na história do Ringo Starr. Parei nas primeiras páginas “Teatro Pós Dramático” de Hans-Thies Lehmann porque achei mais prudente ir até o fim com “Teoria do Drama Moderno”, do Peter Szondi. Parei também, mas li umas boas páginas, de “Escritos sobre Teatro” de Bárbara Heliodora.
A vida é pouca, os livros muitos.

Escrito por Astier Basílio às 09h11
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Minha mãe me liga dia desses, me fala que o Renato Suehtt voltou pra Igreja.
- Tá passando o testemunho dele todo dia.
Pra quem não sabe, Renato Suehtt foi um dos principais líderes da Igreja Universal do Reino de Deus.
Chegou a ser o segundo na hierarquia da Igreja. Bispo do Brasil.
Foi a primeira grande perda da Igreja.
Era um dos primeiros. Além de um certo verniz intelectual, ausente em muitos pastores naquele tempo, Renato tinha um conhecimento de música muito grande, compôs hinos extraordinários como “Canção do Amigo”, “Última Lágrima”, músicas que mesmo depois de muitos anos fora da Igreja de vez em quando eu canto.
Fui criado na Igreja Universal.
Os Bispos eram, de alguma forma, nossos heróis. Fiquei dos 12 aos 21 anos lá. Embora os meus últimos anos tenham sido de muita dor, muito sofrimento. As perguntas eram muitas, eu não estava feliz, sai e desde então não consigo me conciliar com nenhum ritual. Qualquer que seja.
Sei que a Igreja Universal tem os seus problemas. É montada em moldes de empresa e recebe os benefícios de ser uma Igreja. Tem o problema, um dos principais pra mim, de oportunismo político e da forma despolitiza com que empurra candidatos despreparados goela abaixo em votações de cabresto povoando as cadeiras legislativas do país, de gente que, no mais das vezes, não fazem nada a não ser votos de aplauso e obtenção de alvarás de funcionamento.
Uma vez vinha com uma conhecida minha, uma atriz. Passávamos em frente a uma dessas catedrais da Igreja. Ela me falou: “que coisa horrorosa, isso deveria ser derrubado, onde é que está o governo neste país”.
Eu fiquei pensando na minha mãe e no garoto que eu fui um dia. Na felicidade que dava na gente quando uma catedral era inaugurada. No orgulho que a gente tinha em ter uma “casa” bonita pra ir no domingo, em como era bom sentar em cadeiras acolchoadas, nós que freqüentamos templos que não tinham conforto algum.
Ninguém pergunta pra quem está ali embaixo, daquele templo, adquirido com o dinheiro dele, o que é que ele acha. A minha mãe, por exemplo, que eu não posso dizer que é uma pessoa alienada, explorada. Ela cometeu seus excessos no começo, sobretudo com o meu pai que nunca se dobrou. Minha mãe hoje em dia está tranqüila e mantemos uma convivência agradável depois, é claro, de mantermos o respeito um pelo outro.
A Universal me marcou. Para o meu bem e para o mal. Marcou meu imaginário, formatou meus valores. Me trouxe uma visão algo barroca e simbólica do mundo que mesmo negando eu ainda trago comigo.
Lembro que outro dia fuçava no google para saber que fim tinha levado o Bispo Renato. Agora, acabo de ver parte do testemunho dele no Youtube.
De volta. Como o cão que retorna ao vômito, como bem disse uma fiel da igreja que ele abriu em comentário no Youtube, ou como Renato mesmo disse, cumprindo o versículo bíblico de lembrar-se de onde caiu e retornar.
Escrito por Astier Basílio às 02h25
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CÍRCULO DENTRO DO CÍRCULO [EM PRETO]
Vivemos sob o medo, sob o cerco de ser livre. Uma ditadura sem governos, onde o bem e o mal são feitos
das mesmas perguntas. Um invisível enterro inauguramos. O inimigo é em movimento. O inimigo é por enquanto. O inimigo é por dentro:
Nenhum e todos os tempos. Nunca o mesmo. Minha maldição não ganha prêmios. Se a pedrada vira estátua, o beco
é sem saída. E é aqui que eu desço.
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Do livro "Eu Sou Mais Veneno Que Paisagem", de minha autoria, que deve sair até junho.
Escrito por Astier Basílio às 19h27
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