O nome dela é Concha Buika.
Uma negra linda.
De Mallorca, Espanha.
Gosto da voz dela.
Tem tragédia dentro, quando ela canta.
Devo dizer que ouvi pouco, duas músicas.
Descobri seu site (http://www.buika.net)
e lá uma frase sua:
“componho para não odiar e canto para não enlouquecer”
Aqui (http://www.youtube.com/watch?v=63KNNI0REdU)
clip de sua mais nova música,
'La falsa moneda', a que ouvi primeiro.
Escrito por Astier Basílio às 10h26
[]
[envie esta mensagem]
[link]

joão gilberto noll, francisco carvalho
Em caminho pra Campina Grande levei alguns livros pra ler durante a 1:40 minutos de trajeto.
Escolhi um romance na estante. "Hotel Atlântico", de João Gilberto Noll.
Nunca tinha lido nada dele.
Noll esteve em João Pessoa tempos atrás.
Não gostei nada da misè-en-scene.
Exageraaava. Falava como um monge. Tudo nele era mitificação.
O tom monocórdio com que ele lia os contos de seu "Mínimo, Múltiplo e Incomum" provocou
em mim uma sincera e desbragada crise de riso.
Tive de sair da sala.
Era muito ridículo.
"Hotel Atlântico" é um "road movie" literário. Começa em Copacabana. O cara vai se deparando com a morte em cada trecho de uma viagem, que não está pré-determinada.
Na minha bolsa também estava "Os mortos não jogam xadrez", do poeta cearense Francisco Carvalho.
Um octogenário. Um dos maiores poetas vivos do Brasil.
Veja só o belíssimo:
"Soneto para uma Rainha"
Estavas velejando em teu sossego, quando a sombra da morte te rodeia, qual serpente chegada do desterro para cumprir os ritos de uma ceia. Ao som do vento, às portas de um castelo, vaticínios de aldravas pela aldeia. O Tejo, agora, é um dragão amarelo que ao luar das guitarras devaneia. As catedrais soluçam quando passas aos olhos marejados de Lisboa, com teu longo vestido de fantasma, teu cetro de brilhantes e coroa. Em cada olhar de espanto se adivinha a que depois de morta foi Rainha.
Escrito por Astier Basílio às 09h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]

juvenal e joão marinho
Morreu na última quinta o repentista João Marinho, que há alguns anos morava no Amazonas.Na semana anterior, quem tinha falecido era o seu colega, Juvenal de Oliveira, em Campina Grande.
Os dois fizeram história na cantoria nordestina. Foram pioneiros na fundação da Associação de Repentistas e Poetas Nordestinos, cantaram nos primeiros festivais e, essencialmente, foram cantadores de rádio.
João Marinho, houve uma época, morou uns tempos na Casa do Cantador, em Campina, sede da Associação. Nesse tempo eu tinha 14 anos e dava expediente lá. Passei várias tardes ouvindo-o em sua voz grave, seu gesto medido e elegante. Era um dos cantadores mais elegantes que eu conheci. Sempre arrumado, com discrição. Tinha uma cabeleira bonita quase toda preta, que penteava com um pente sempre à disposição no bolso. Penteava-se, com esmero, para trás. João tinha um olhar aguçado por trás dos óculos de grau verdes. Sabia ouvir.
Assisti a poucas ou não lembro se vi alguma cantoria de pé de parede de João Marinho. Lembro dele cantando no microfone da Rádio Borborema, no Retalhos do Sertão. De vez em quando, João vinha do Amazonas passava uns dias por aqui.
Juvenal de Oliveira é uma figura que pertence ao meu imaginário desde criança. Ele cantou nos programas de rádio de meu pai. Além disso acompanhei meu pai em cantorias com Juvenal em sítios, bares. Gostava de charadas, de palavras cruzadas, primava pelo português correto, tinha uma voz potentíssima. Lembro de uma fita k7 que ele gravou com o poeta Titico Caetano e numa das faixas os dois cantaram um gênero, não sei se um galope à beira mar, falando sobre células.
Ambos eram pessoas respeitadas no meio da cantoria. Nunca foram da primeira divisão, da elite do repente. Mas, eram além de bons poetas excelentes pessoas que primavam pela amizade e que cumpriam com compromissos.
Segue abaixo uns versos que fiz em homenagem a esses meus dois grandes mestres.
João Marinho afinou sua viola,
pôs os óculos, jogou fora o cigarro
temperou a garganta e o seu pigarro
veio à tona mas isso ele controla
Juvenal ajeitou gravata e gola
não deixou um botão de abotoar
disse a João: “ Você pode iniciar
que eu começo no próximo baião”
Se no céu tem "Retalhos do Sertão"
uma dupla de mestres vai cantar.
Escrito por Astier Basílio às 12h30
[]
[envie esta mensagem]
[link]

gerúndios
OUVINDO: Redd Kross LENDO: Belvedere, Chacal INDO: pra Academia... de malhação, não de Letras. PENSANDO: em arrumar meus livros, procurei uns ontem, demorou muito VOLTANDO: a ler os jornais do mundo, como sempre fazia. ESPERANDO: retomar alguns projetos. TENDO: algumas idéias, alguns abismos. QUERENDO: ver os filmes que Renato Félix emprestou ao meu sogro, que tão lá em casa.
Escrito por Astier Basílio às 10h15
[]
[envie esta mensagem]
[link]

UM FAROESTE NA FALA
minha arte é marcial lutada em claro minha solidão tem mais auroras que cansaços
Meu nome é ninguém, porém, não aceito pactos: minha parte é com o silêncio.
O meu estado é de sítio; a minha casa, o contrário. Sou mais meu conflito do que o palco.
Meu número não tem comentários e o que eu miro não é no fácil
Escrito por Astier Basílio às 21h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]

não sabia o q era um ecran
Comecei a me interessar por cinema tarde, com vinte e poucos anos. Lembro que em 2000, fiz uma viagem longa pra Bahia, de ônibus. Eu fiquei ao lado de Anakã. Colega do curso, poeta, grande amigo. Logo no começo, ainda em Campina Grande, ele me disse: “vamos falar sobre cinema?”, respondi: “eu não entendo nada de cinema”. E não fazia charme ou tipo. Naquele tempo tudo o que não fosse poesia, literatura.
Anos depois, fazia um tempão que eu não encontrava com o Anakan. Sentei ao lado dele noutro ônibus, Campina Grande – João Pessoa. Os carros da Real exibiam filmes. Me espantou o fato de que estavam apresentando não um água com açúcar, comum nas viagens, mas “O Homem que Matou o Facínora”, do John Ford.
- É não... disse Anaka olhando.
- É sim. Olhe direitinho.
Era meio absurdo, aquele filme no ônibus. E mais absurdo ainda eu identificando o filme, assim que bati o olho.
- O que eu gosto nesse filme é da atuação do Gregory Pack. Ele tá muito bom... dizia
Anakan
- Não é o Gregory Peck não, interrompi....
- É sim...
- Olhe direitinho. É o James Stewart, falei.
Foi meio espantando que Anakan reconheceu isso. Era mesmo o James Stewart.
Instantes depois. “Vamos falar de faroeste”, sugeriu Anakan. Concordei. Já tinha visto algumas coisas. Fomos comentar os clássicos.
- E “Shane”?, começou Anakan.
- Ótimo né,?
- Gosto muito do John Wayne naquele filme...
- Não é o John Wyne não, viu...
- Não?
- Não é não. Esqueci o nome do ator, mas não é o John Wayne, respondi.
- Pronto. Painho vem me buscar. Ele sabe quem é o ator.
O pai de Anakan, Marcos Agra, poeta, cinéfilo, foi meu professor no curso de letras. Assim que chegou no carro, entramos, Anakan perguntou quem era o ator.
- Alan Ladd
Anakan relembrou a viagem a Salvador.
- Há pouco tempo você não sabia o que era um ecran ...
***
Depois de, nos meus tempos de “cinema de autor”, odiar o Speilberg, vou ver o Indiana Jones, o novo (veja o clip aqui: http://www.elpais.com/videos/cultura/Trailer/defintivo/Indiana/Jones/Reino/Calavera/Cristal/elpvidcul/20080507elpepucul_5/Ves). Mas antes, vou assistir aos anteriores todos. Como fiz com o Homem Aranha 3. No dia da estréia vi o I às 9 horas; o II, às 14 e III às 20 horas, no cinema. Foi ótimo.
Escrito por Astier Basílio às 11h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]

maio de dois mil e oito
Quando é que 1968 vai acabar?
Acho que o passado é uma espécie de Rei Midas.
Tudo o que passado toca vira ouro.
Por que será que várias vezes ouvi de jovens de minha geração dizer e lamentar que nasceram no tempo errado, que queriam ter vivido nos anos 1960?
Não somos politicados, não temos causa?
Não ir a uma passeata é um ato político.
O silêncio é, também, um ato político.
Não temos causa?
Que admirável mundo louco é esse de cada dia.
Será que, ao invés de um futuro, construimos agora a saudade do presente, a nostalgia do que virá?
Será que temos que usar óculos de retrovisores pra sempre?
Escrito por Astier Basílio às 15h28
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Senhora dos Afogados - made in PB
- Oi Servílio, tudo bom?
- Tudo bonzinho.
- Novidades? Algum projeto, montando alguma coisa?
- Sim. Tô dirigindo uma montagem do “Senhora dos Afogados”.
Servílio se antecipou a mim. Acho que a minha cara de “comãssim” deu a entender. Ele foi logo se explicando.
- Cara eu sei que o Antunes montou, o Zé Celso tá montando, mas são essas coincidências.
Não conheço o grupo de Servílio, o que ele está dirigindo. A montagem não será pela Piollin, mas, acredito, com alunos com os quais ele trabalha num projeto desenvolvido lá. Ainda não sei ao certo. Ele me falou por cima.
Servílio Holanda, pra quem assistiu a “Vau da Sarapalha”, é o ator que interpreta o cachorro.
***
Fiquei pensando, por que Nelson?
Por que essa peça?
Bom, não tem nada ver especular sobre escolha.
Escolha é escolha e é dele. Fazer o quê?
Tem tanto texto bom, contemporâneo, de autores que ainda não foram montados por aqui.
Ao passo que não houve – pelo menos não lembro – grandes montagens de Nelson nos últimos anos.
Escrito por Astier Basílio às 00h23
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Eles eram muitos livros
Fazia muito tempo que eu não lia um romance policial. Acho que só tinha lido um em toda minha vida, “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie. Isso sem considerar “O Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue”, de Ariano Suassuna e “O Nome da Rosa” que extrapolam as classificações do gênero.
Terminei ontem – um dia tumultuado, sem sono – de ler “A Cidade dos Vidros”, do inslandês Arnaldur Indridason. O livro saiu pela Coleção Negra – Noir Europeu, da editora Record. Confesso que só li devido ao dever de ofício da coluna do Jornal da Paraíba que me obriga a resenhar um livro por semana. Li e gostei. Pesquisei o filme 'Múrin' (ilustração do cartaz aí embaixo) – mesmo título do original em inslandês – na internet.
Já comecei a ler outro volume da coleção, “O Vôo de Sexta-Feira”, do alemão Martin W. Brock. Esse mais chato. Pelo menos é a impressão que eu estou tendo.
São as leituras de obrigação. Os lançamentos. Parei nas primeiras páginas de “O Vermelho e o Negro”, do Sthendal que me pareceu extraordinário. Estou com leituras estacionadas, a biografia dos Beatles por Bob Spitz, parei na história do Ringo Starr. Parei nas primeiras páginas “Teatro Pós Dramático” de Hans-Thies Lehmann porque achei mais prudente ir até o fim com “Teoria do Drama Moderno”, do Peter Szondi. Parei também, mas li umas boas páginas, de “Escritos sobre Teatro” de Bárbara Heliodora.
A vida é pouca, os livros muitos.

Escrito por Astier Basílio às 09h11
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Minha mãe me liga dia desses, me fala que o Renato Suehtt voltou pra Igreja.
- Tá passando o testemunho dele todo dia.
Pra quem não sabe, Renato Suehtt foi um dos principais líderes da Igreja Universal do Reino de Deus.
Chegou a ser o segundo na hierarquia da Igreja. Bispo do Brasil.
Foi a primeira grande perda da Igreja.
Era um dos primeiros. Além de um certo verniz intelectual, ausente em muitos pastores naquele tempo, Renato tinha um conhecimento de música muito grande, compôs hinos extraordinários como “Canção do Amigo”, “Última Lágrima”, músicas que mesmo depois de muitos anos fora da Igreja de vez em quando eu canto.
Fui criado na Igreja Universal.
Os Bispos eram, de alguma forma, nossos heróis. Fiquei dos 12 aos 21 anos lá. Embora os meus últimos anos tenham sido de muita dor, muito sofrimento. As perguntas eram muitas, eu não estava feliz, sai e desde então não consigo me conciliar com nenhum ritual. Qualquer que seja.
Sei que a Igreja Universal tem os seus problemas. É montada em moldes de empresa e recebe os benefícios de ser uma Igreja. Tem o problema, um dos principais pra mim, de oportunismo político e da forma despolitiza com que empurra candidatos despreparados goela abaixo em votações de cabresto povoando as cadeiras legislativas do país, de gente que, no mais das vezes, não fazem nada a não ser votos de aplauso e obtenção de alvarás de funcionamento.
Uma vez vinha com uma conhecida minha, uma atriz. Passávamos em frente a uma dessas catedrais da Igreja. Ela me falou: “que coisa horrorosa, isso deveria ser derrubado, onde é que está o governo neste país”.
Eu fiquei pensando na minha mãe e no garoto que eu fui um dia. Na felicidade que dava na gente quando uma catedral era inaugurada. No orgulho que a gente tinha em ter uma “casa” bonita pra ir no domingo, em como era bom sentar em cadeiras acolchoadas, nós que freqüentamos templos que não tinham conforto algum.
Ninguém pergunta pra quem está ali embaixo, daquele templo, adquirido com o dinheiro dele, o que é que ele acha. A minha mãe, por exemplo, que eu não posso dizer que é uma pessoa alienada, explorada. Ela cometeu seus excessos no começo, sobretudo com o meu pai que nunca se dobrou. Minha mãe hoje em dia está tranqüila e mantemos uma convivência agradável depois, é claro, de mantermos o respeito um pelo outro.
A Universal me marcou. Para o meu bem e para o mal. Marcou meu imaginário, formatou meus valores. Me trouxe uma visão algo barroca e simbólica do mundo que mesmo negando eu ainda trago comigo.
Lembro que outro dia fuçava no google para saber que fim tinha levado o Bispo Renato. Agora, acabo de ver parte do testemunho dele no Youtube.
De volta. Como o cão que retorna ao vômito, como bem disse uma fiel da igreja que ele abriu em comentário no Youtube, ou como Renato mesmo disse, cumprindo o versículo bíblico de lembrar-se de onde caiu e retornar.
Escrito por Astier Basílio às 02h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]

CÍRCULO DENTRO DO CÍRCULO [EM PRETO]
Vivemos sob o medo, sob o cerco de ser livre. Uma ditadura sem governos, onde o bem e o mal são feitos
das mesmas perguntas. Um invisível enterro inauguramos. O inimigo é em movimento. O inimigo é por enquanto. O inimigo é por dentro:
Nenhum e todos os tempos. Nunca o mesmo. Minha maldição não ganha prêmios. Se a pedrada vira estátua, o beco
é sem saída. E é aqui que eu desço.
###
Do livro "Eu Sou Mais Veneno Que Paisagem", de minha autoria, que deve sair até junho.
Escrito por Astier Basílio às 19h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]

É meio arriscado fazer o que estou fazendo, começar a escrever algo que não seja poesia, no caso esboços para uma peça, no blog. Mas, embora haja uma constrangedora exposição, por outro lado vai me dar uma disciplina que eu não consigo ter. Ao menos é nisso que eu penso. Se não der certo, sumo com isso daqui.
Título: ainda não tenho. Mas algo que venha ser dito pelos personagens. O que vem do palco tem muita força.
Personagens: são duas. Na verdade a inspiração vem de um conto de minha amiga Janaína Azevedo, “Enquanto Violeta Morre” cujo enredo é o seguinte: uma mãe vê a filha no leito de morte, definhando e repassa todo o ódio, amargura e ressentimento entre as duas. Na peça que pretendo escrever, mantém-se o conflito mãe e filha, mas em outra ordem. Eu quero falar sobre como lidar com o que se perdeu. Eu quero falar sobre perdão e verdade.
Cena 1: quarto da mãe. Ela está sentada na cama fazendo crochê. Uma roupa pra criança. A filha entra. Não olha pra mãe de imediato. Pausa. A filha puxa um cigarro. Acende.
Mãe: Minha filha.... Se matar tudo bem, e você quem sabe da sua vida... mas matar quem não tem nada a ver com isso, no caso menino que você está esperando
Filha: Tava nervosa. Tô nervosa ainda. Saiu o resultado.
Mãe: Por isso que eu comprei o novelo amarelo. Dá pra menino e menina.
Filha: O resultado saiu no começo do mês. Esse tempo todo eu pensei. Mas já tomei uma decisão.
Mãe: Eu não me importo de que você não case pra criar esse filho. Se eu não tivesse tão doente. Mas, dá pra ajudar. Só não posso ficar com a responsabilidade. Ah! isso não!
(continuará)
Escrito por Astier Basílio às 09h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]

EBA!!!!!!!!!!!!!!!
Não vou mentir....
Não vou mentir pra vocês.
Avenida Paulista, pela manhã. Eu e meia dúzia de escritores conversando, conversando. Pound, Borges, Drummond, Cabral. A redoma de amigos e o mundo ao redor. Um mendigo aproximou-se:
- Bom dia pessoal.
Todos nós viramos. Quebrada a redoma.
- Desculpe interromper o papo de vocês, deve ser um papo muito agradável.
O mendigo, os pés do mendigo, pisando os cacos da redoma quebrada.
- Mas, eu gostaria de pedir a ajuda de vocês, pois, eu estou necessitado e preciso muito comprar uma pinga...
Pelas frestas da redoma quebrada, a verdade cantando. Moedas, não muitas, às mãos e enquanto isso:
- Não vou mentir pra vocês....
***
Eu também não vou mentir pra vocês, mas gostei de ver meu blog indicado como um "dos legais do UOL"
***
Olá! Seu blog foi selecionado como um dos legais do UOL. Parabéns! Veja no link abaixo como colar o selo de Blogs Legais: http://04021c3560d0c90306.comunidade.uolk.uol.com.br/2008_04/topic2008_04-30_15_34_34-3929349.html UOL Blog | indiqueumblog@uol.com.br | http://blog.uol.com.br | 30/04/2008 14:46
Escrito por Astier Basílio às 09h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]

literratura: contos negreiros
x
Marcelino Freire consegue misturar poesia e prosa. Mais ainda: mantém a linha narrativa e acrescenta-lhe um preciso toque rítmico e musical. Em “Contos Negreiros” (Record, 109 pgs), vencedor do prêmio Jabuti, os gêneros se confundem numa empreitada literária de qualidade.
No encadeamento das frases, Marcelino utiliza rimas. Às vezes perfeitas, às vezes toantes, mas há sobretudo uma noção preciso e um domínio de ritmo. Em alguns momentos, o texto lembra, por exemplo, a peça “Gota D' Água”, de Paulo Pontes e Chico Buarque, todo escrito em versos. Não é prosa poética. Há uma narrativa clara, linear. Qualquer trecho aleatório serve de exemplo, como por exemplo, no “Canto XV – Meu Negro de Estimação”: “Meu homem é a coisa mais bonita. Os dentes perfeitos, o peito. Meu homem leva jeito para ser modelo. Mas eu não deixo. Coloco, assim, um cabresto. Para ele não me deixar tão cedo”.
Por falar em teatro, não é à toa que alguns textos de Marcelino têm sido utilizados no palco, como no seu livro anterior “Angu de Sangue”. Os diálogos, o tom de fala cotidiana, são outros aspectos importantes na estilística desse pernambucano de Sertânia, radicado em São Paulo. Alguns contos são verdadeiros monólogos e, a despeito de sua literariedade, se resolvem teatralmente, é o caso, dentre outros, do belo “Canto XI- Totonha”, que conta a estória de uma senhora analfabeta que se recusa a aprender a ler: “(...) Não preciso ler, moça. A mocinha que aprenda. O prefeito que aprenda. O doutor, o presidente é que precisa aprender a ler o que assinou. Eu é que não vou abaixar minha cabeça para escrever. Ah, não vou”.
Marcelino Freire é um dos escritores da nova safra que vem conquistando o seu espaço e merece ser lido.
Escrito por Astier Basílio às 09h22
[]
[envie esta mensagem]
[link]

cinema - O Grão
Poético é um termo que se ajusta bem a “O Grão” (2007), filme de estréia do cearense Petrus Cariry, exibido no Cine Bangüê, no XII Fenart. Mas, há que se fazer umas ressalvas técnicas sobre a exibição. A cópia em DVD, com legendas em inglês – os rolos com a película não chegaram a tempo – prejudicou a percepção fotográfica, montada em planos longos, de ritmo bem compassado, bem como o som não pode ser percebido em sua inteireza – houve um apagão sonoro de dez minutos na projeção.
Mesmo com esses problemas na exibição, deu pra perceber nitidamente a espinha dorsal da narrativa: duas trajetórias contrárias se cruzam; numa mesma casa, a avó no leito de morte, conta uma estória para o seu neto; a filha se prepara para o casamento. Amor e morte, eros e tânatos morando no mesmo lugar. Destaque para a presença de dois paraibanos no filme, Verônica Cavalcanti (da peça “Quebra Quilos”) e Nanego Lira que fazem os pais dessa família, rural e lírica.
A avó, cujo nome é Perpétua (o nome da personagem não é nada gratuito), é uma espécie de Sherazade sertaneja, que tenta estender os fios de sua história através da estória de um reino, uma bela fábula sobre a morte, já preparando o seu neto, Zeca, não apenas para o fim iminente dela, mas abrindo os seus olhos sobre a fatalidade do ser humano, a existência da morte.
Se a metáfora de Sherazade, a de que a arte da narrativa transcende a vida, é o grande acerto do filme, o mesmo não se pode dizer da outra estória, a paralela à principal, em que se dá o preparativo para o casamento, porém, o andamento se dá sem conflitos, numa fragilidade, quase como mero complemento da linha principal da narrativa.
A poesia deste filme ratifica uma tendência do cinema brasileiro. Virou lugar comum chamar de lírico e poético filmes de dramaturgia tênue. São líricos e poéticos “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), de Marcelo Gomes; “O Céu de Suely” (2006) de Karim Aïnouz. O problema é que esses filmes, “O Grão” incluso, quase não apresentam conflitos e a narrativa é muito frágil.
Escrito por Astier Basílio às 10h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|